Utilização De Pó De Granito e Manto De Alteração De Piroxenito Para Fertilização De Solos

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Utilização De Pó De Granito e Manto De Alteração De Piroxenito Para Fertilização De Solos
  UTILIZAÇO DE PÓ DE GRANITO E MANTO DE ALTERAÇO DE PIROXENITO PARAFERTILIZAÇO DE SOLOS ALINE CARNEIRO SILVEROL 1 , LUIZ MACHADO FILHO 2 Palavras chaves: fertilizao, p de rocha, Rochagem.INTRODUÇÃONos tempos atuais, a produo de alimentos é considerada como um dos grandesproblemas para a sustentabilidade da vida humana no planeta, pois com a degradaocontnua dos solos, o cultivo das terras fica limitado, diminuindo assim as áreas cultivadas ecom isso a oferta de alimentos.Sendo o solo um recurso de extrema importância para a sobrevivência humana, torna-se necessário buscar alternativas que possam proporcionar o melhor aproveitamento desserecurso, em especial na produo de alimentos.Tendo em vista esta preocupao, o presente trabalho teve por objetivo estudar aaplicao de rejeitos de minerao proveniente de pedreiras de brita de granito e mantos dealterao de piroxenito diretamente no solo, através da técnica de Rochagem, para arecuperao e fertilizao de solos degradados.A Rochagem é definida como uma prática agrcola de incorporao de rochas e/ouminerais ao solo, sendo a calagem e a fosfatagem natural casos particulares desta prática(Leonardos, et. al., 1976).Com a adio de p de rocha ao solo, a água, através do intemperismo qumico, iráagir sobre o material pétreo, decompondo-o lentamente, podendo liberar, de forma gradual,os elementos qumicos.   1  Mestranda do Programa de Pós Graduação em Geoquímica e Geotectônica – Instituto de Geociências –Universidade de São Paulo. Email : alinesilverol@igc.usp.br 2  Mestre. Professor do Departamento de Ecologia e Recursos Naturais – Universidade Federal do EspíritoSanto. Email: l.machado.filho@uol.com.br Resumos do II Congresso Brasileiro de AgroecologiaRev. Bras. Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007703  MATERIAIS E MÉTODOS Os experimentos foram realizados em casa de vegeta ção, no viveiro de plantas doDepartamento de Ecologia e Recursos Naturais da UFES. A escolha da realização dosexperimentos em casa de vegetação justificou-se pela possibilidade de maior controle dasvariáveis como umidade, possíveis pragas, etc.O solo escolhido foi o latossolo vermelho-amarelo, srcinado de rochas cristalinas(gnaisses), por ser o mais representativo e utilizado no Estado do Espírito Santo e porapresentar as deficiências necessárias para se observar o desempenho do pó de rocha emcomparação à fertilização tradicional.As rochas utilizadas na pesquisa são provenientes de duas unidades geológicaspresentes no Espírito Santo: granito da Suíte Intrusiva Espírito Santo e piroxenito da SuíteIntrusiva Aimorés.O granito foi utilizado sob a forma de pó de pedra, proveniente da produção de brita daPedreira Brasitália, localizada no município de Cariacica, ES. Essa rocha foi clasificada porTuller et. al (1993) como intrusivas ácidas a básicas, de idade cambriana (±540 milhões deanos), sendo composta mineralogicamente por feldspato potássico, plagioclásio, quartzo,biotita e anfibólio.O piroxenito utilizado é uma rocha ultrabásica pertencente a um pequeno corpointrusivo, de idade cambriana, que está localizado no município de Santa Teresa, ES. Arocha é composta mineralogicamente por piroxênio, flogopita e pouca olivina, sendo tambémcortada por veios de quartzo e feldspato. Encontra-se bastante alterada e com consistênciafriável, tendo sido incorporada ao solo em seu estado natural, após o desmonte, semqualquer tipo de beneficiamento.O solo e os materiais pétreos utilizados foram submetidos a análises químicas, com oobjetivo de se determinar as quantidades dos elementos presentes em cada um deles. Apartir desses resultados foi possível calcular, de forma simples, a quantidade de material queseria aplicado nos experimentos, utilizando como parâmetro as porcentagens dos elementosquímicos presentes no solo, nas rochas e nos fertilizantes químicos convencionais e umareceita agronômica para adubação do solo.Os experimentos envolveram 9 tratamentos diferentes, cujos materiais e quantidadesutilizados encontram-se na Tabela 1. Cada tratamento foi realizado com três repetições.Além do pó de rocha, para efeito de comparação, também foram utilizados os adubos Resumos do II Congresso Brasileiro de Agroecologia704Rev. Bras. Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007  qu ímicos superfosfato simples, que supre a necessidade de fósforo e o cloreto de potássio,que supre a carência de potássio. Foram utilizadas as quantidades de pó de rochacalculadas e outros experimentos com o dobro desses valores, devido ao tempo que osnutrientes levam para serem disponibilizados.TratamentosMateriais e quantidades1Superfosfato simples = 9 gramasCloreto de potássio = 1,6 gramasPó calcário = 50 gramas2Superfosfato simples = 9 gramasCloreto de potássio = 1,6 gramas3Piroxenito = 200 gramas4Piroxenito = 400 gramas5Granito = 250 gramas6Granito = 500 gramas7Piroxenito = 100 gramasGranito = 120 gramas8Piroxenito = 200 gramasGranito = 250 gramas9Solo sem tratamentoTabela 1 – Tipos de tratamentos utilizados nos experimentos.O nitrogênio recomendado na receita de adubação não foi utilizado, pois não se teriacomo comparar com os experimentos realizados com pó de rocha, já que se trata de testescom produtos naturais e as rochas utilizadas não possuem esse elemento.Como cultura teste foi utilizado o milho, por ser de curta duração e por possuircaracterísticas fortemente extratoras, ou seja, retira bastante os nutrientes que sãodisponibilizados pelo solo.Os experimentos foram observados diariamente por aproximadamente 60 dias. Apósesse período os pés de milho foram cortados rente ao solo e secos em estufa, parapesagem. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os experimentos que receberam tratamento com superfosfato simples e cloreto depotássio, e superfosfato simples, cloreto de potássio e pó calcário para correção de acidez,tiveram melhor desempenho em comparação com os outros ensaios feitos com pó de rocha.Os resultados mostraram que nos experimentos com superfosfato simples e cloreto de Resumos do II Congresso Brasileiro de AgroecologiaRev. Bras. Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007705  pot ássio, o milho desenvolveu-se mais rapidamente que nos experimentos com pó de rocha.Esse resultado já era esperado, pois o fertilizante químico sendo altamente solúvel, forneceos nutrientes mais rapidamente que o pó de rocha, que necessita de mais tempo para adecomposição dos minerais e liberação dos elementos.Nos experimento onde foram utilizados os materiais pétreos (pó de granito e piroxenitoalterado) tiveram um menor crescimento em comparação com os ensaios realizados comfertilizantes químicos, mas mesmo com essa constatação os resultados foram consideradospositivos, pois naqueles experimentos os pés de milho cresceram bem mais que no solovirgem.O experimento com solo sem nenhum tipo de tratamento (virgem), obteve o piorresultado, pois foi onde o milho menos se desenvolveu, provando que os latossolos, porserem solos antigos, ofertam pouca quantidade de nutrientes, que é insuficiente para o bomdesenvolvimento das plantas se não houver a adição de nutrientes.Na pesagem da matéria seca, os ensaios que foram tratados com adubo químico,tiveram um maior peso, aproximadamente 12 gramas (soma dos pés de milho nos trêsvasos). Isso é atribuído à própria utilização do fertilizante, já que este, por ser mais solúvel,oferece rapidamente os elementos necessários e de forma abundante, ocasionando umcrescimento e uma quantidade de massa verde maiores.Os experimentos que foram tratados com pó de granito, piroxenito e misturasobtiveram pesos variando entre 3, 5 a 6 gramas, podendo esses resultados serem atribuídosao mais baixo fornecimento de nutrientes, ocasionado pela baixa solubilidade do pó derocha, o que acarretou uma menor quantidade de massa verde (e seca), mas, com relaçãoao tamanho dos pés de milhos, ficaram aproximados aos dos experimentos com fertilizantesquímicos convencionais.Já o experimento sem tratamento obteve o menor desempenho, pesando apenas 2,32gramas.Com os resultados obtidos nesta primeira etapa da pesquisa, podem ser feitas algumasconstatações e previsões:- Os experimentos com pó de rocha poderiam ter um melhor desempenho se as rochasapresentassem uma maior quantidade de fósforo;- A adição de alguma fonte de nitrogênio, na forma de matéria orgânica ou compostagem,potencializaria o crescimento das plantas; Resumos do II Congresso Brasileiro de Agroecologia706Rev. Bras. Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007  - Os experimentos que foram tratados com pó de piroxenito tiveram um melhordesenvolvimento, se comparados com os ensaios realizados com pó de granito. Taldiferença deve-se ao fato do piroxenito possuir uma maior diversidade mineralógica e,conseqüentemente, qu ímica, al ém de uma maior quantidade de fósforo (P 2 O 5 ). BIBLIOGRAFIA ASSAD, M. L. L. Conservação dos solos e biodiversidade. In: BENSUSAN, N. (org.) Seriamelhor ladrilhar? Biodiversidade: como, para quê, por quê. Brasília: Ed.UNB/Instituto sócio-ambiental, 2002. p 211-218.FERREIRA, P. H. de M. Princípios de manejo e conservação do solo. 3. ed. São Paulo:Nobel, 1992.KRONBERG, B. I. LEONARDOS, O H. FYFE, W.S. MATTOSO, S. Q. & SANTOS, A. M.Alguns dados geoquímicos sobre solos do Brasil: Uso potencial do pó de pedreira como fontede nutrientes críticos em solos altamente lixiviados – com atenção à geoquímica de algunssolos da Amazônia. CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 19. 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