Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília [Masterplan no. 24: Reflections on a proposal for Brasília], com Jeferson Tavares, Risco: Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo, 0.11 (2010): 15-31

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This article analyzes the design presented by Giancarlo Palanti and Henrique E. Mindlin team for the 1957 Brasilia Masterplan competition, awarded with the fifth place. It recognizes the sources of such design, its references, ideas, concepts and the
  15 11  1[2010 revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo programa de pós-graduação do departamento de arquitetura e urbanismo eesc-usp artigos e ensaios Resumo Analisa o projeto da equipe de Giancarlo Palanti e Henrique E. Mindlin premiado com o quinto lugar no Concurso para o Plano Piloto de Brasília, em 1957. Procura reconhecer as fontes do plano, suas matrizes, as idéias, os conceitos e os procedimentos que guiaram a sua elaboração. Conclui que o projeto é um exemplar de uma linhagem do urbanismo e do planejamento no Brasil, da década de 50. Apesar das similaridades e diálogos com outros projetos concorrentes, reconhece suas peculiaridades e qualidades ímpares. Palavras-chave:   Brasília, Giancarlo Palanti, Henrique E. Mindlin. Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília Aline Coelho Sanches Arquiteta e urbanista, doutoranda em Composição Arquitetônica pelo Politécnico de Milão, Via Durando, 10, 20158, Milano, (+39-02) 2399-5619, aline.coelho@mail.polimi.it Jeferson Tavares Arquiteto e urbanista, atua em projetos de infra-estrutura viária e pesquisa a história do planejamento regional do Estado de São Paulo, jctavares@gmail.com C ompreender Brasília, capital federal planejada no bojo da política de desenvolvimento sócio-econômico brasileiro e parte constituinte do processo de exaltação da produção artística, arquitetônica e urbanística nacional requer um mergulho nas diferentes disciplinas que regem uma cidade planejada.Reconhecer as fontes e as srcens dessas matrizes, entender a interlocução da apropriação desses temas pela realidade brasileira e desvendar a sua articulação como objetivo da conformação espacial estão entre os principais objetivos da análise.Entender esses usos sob a perspectiva da construção de um ideário para a capital federal é compreender parte do modo como se pensava e se articulavam os conceitos e as formas de organização espacial das cidades.Um exemplo significativo e bastante interessante é o plano elaborado pela equipe de Henrique E. Mindlin e Giancarlo Palanti, premiado com o quinto lugar, ao lado das equipes de Carlos Cascaldi e da Construtécnica S. A. no Concurso para o Plano Piloto de Brasília, finalizado em 1957. Ainda que se tratasse de um plano bastante esquemático, como pretendiam seus próprios autores, e não realizado, procuramos entender quais são as idéias, conceitos e procedimentos que guiaram a sua elaboração. O concurso para o plano piloto da nova capital - 1956/7 Todo o processo de elaboração e efetivação do concurso para Brasília foi marcado por polêmicas. A posição dos arquitetos quanto à mudança da capital oscilava entre aqueles que se opunham ao projeto do presidente Juscelino Kubitschek (endossando as críticas às razões dadas pelo governo e à construção de uma nova cidade num país carente de investimentos públicos em outras áreas) e aqueles que o apoiavam. Com a publicação do “Manifesto dos arquitetos ao Presidente da República”, de autoria do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), publicado na revista Arquitetura e Engenharia de Belo Horizonte,  Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília 16 11  1[2010 artigos e ensaios em julho de 1956, foi sancionada a neutralidade como a postura oficial dos arquitetos. De acordo com o IAB, deveria ser solicitada dos concorrentes a elaboração de um esquema de Plano Regional para a área da nova Capital e o estabelecimento das diretrizes para o Plano de Urbanização da mesma, afim de obter o equilíbrio território-população-economia. Deveria ser apresentada uma estrutura dos procedimentos necessários à elaboração do programa a ser seguido no planejamento e, através de desenhos, as proposições para a integração dos fatores físico-econômicos-sociais e político-administrativos do futuro conglomerado urbano, base para a orientação dos trabalhos posteriores do planejamento definitivo (BRAGA, 1999). Nas sugestões dos nomes dos arquitetos estrangeiros que poderiam compor o júri, este manifesto mostra as suas referências para o planejamento nas figuras de Walter Gropius, Richard Neutra, Percy J. Marshall, Max Lock, Alvar Aalto, Clarence Stein, Le Corbusier e Mario Pane.Já o edital publicado no Diário Oficial pela Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal propunha a elaboração do Plano Piloto através de um “a. traçado básico da cidade, indicando a disposição dos principais elementos da estrutura urbana, a localização e interligação dos diversos setores, centros, instalações e serviços, distribuições dos espaços livres e vias de comunicação em escala 1:25.000; b. relatório justificativo” (TAVARES, 2004).Foi também publicada uma circular, após várias requisições dos arquitetos, que acrescentava informações técnicas e dados do andamento das obras (mesmo antes da finalização do Concurso). As informações mais relevantes diziam respeito à definição do Lago Paranoá e à quantidade prevista de 500.000 habitantes para a Nova Capital. O plano da equipe Henrique E. Mindlin e Giancarlo Palanti O plano que recebeu o número 24 na entrega das propostas para o concurso foi elaborado pela equipe de Henrique E. Mindlin e Giancarlo Palanti 1  formada por Walmir Lima Amaral, Marc Demetre Foundoukas (estes dois então arquitetos associados ao escritório 2 ), Anny Sirakoff e Olga Verjovsky (então colaboradoras do escritório). A equipe contaria ainda com Gilson Mendes Lages, que, segundo Walmir Amaral, teria contribuído na realização dos desenhos, e André Gonçalves, que teria colaborado com o texto 3 .Henrique Mindlin e Giancarlo Palanti estavam associados desde meados de 1954, constituindo, na ocasião da elaboração do plano, um escritório com sede no Rio de Janeiro, a cargo de Mindlin, e outra em São Paulo, a cargo de Palanti.Giancarlo Palanti, no retorno da viagem ao sítio escolhido para a Nova Capital, propôs um esquema inicial de elaboração do plano piloto. Este esquema orientou a elaboração da proposta da equipe, realizada em um curto prazo 4 .“ Estamos criando uma cidade nova e que, portanto deve ser um exemplo da aplicação de todos os conceitos mais sadios e das conquistas do urbanismo moderno  ”   (PALANTI, 1957).Com esta afirmação iniciava-se o relatório manuscrito por Giancarlo Palanti. Para o arquiteto esta era a ocasião de construir a cidade moderna. Este manus-crito organizava-se da seguinte forma: conceitos gerais, rede de comunicações, planejamento das sedes e serviços coletivos e sociais (descritos através de uma lista das atividades de uma cidade, a ser dividida em diversas zonas dimensionadas por cálculos), proporcionamento das superfícies, legislação e regulamentação  . A organização deste texto pode ser entendida como um indicativo da estruturação do raciocínio de concepção do urbanismo. A organização do manuscrito e do relatório oficial apresentado para o concurso para o Plano Piloto de Brasília é praticamente a mesma. Foram sete as pranchas entregues ao concurso, apresentando desenhos bastante esquemáticos, em conformidade com o que os arquitetos acreditavam necessário para o plano naquele momento: 1) Plano Geral; 2) Exemplos de Núcleos Residenciais; 3) Capitólio e Setor dos Ministérios; 4) Centro Cívico e Comercial; 5) Vias de Comunicação; 6) Etapas de Crescimento; e 7) Esquemas das linhas de transportes coletivos. Sucinto e objetivo, o relatório oficial resumia, em poucas páginas, a organização das diretrizes para a implantação da Nova Capital. Tratava, 1 Henrique Mindlin: arquiteto formado pela Escola de en-genharia do Mackenzie em São Paulo, 1932. Autor do livro “Arquitetura moderna no Brasil” e de importantes projetos no país. Giancarlo Palanti: arquiteto italiano, formado pelo Politécnico de Milão em 1929, pertencente a 2ª geração de arquitetos racionalistas da Itália. Emigra para o Brasil em 1946. 2  Naquele momento o escri-tório se chamava Henrique E. Mindlin e Giancarlo Palanti arquitetos. 3  As análises feitas neste tra-balho desenvolveram-se a partir de fontes primárias (Desenhos srcinais do plano apresentado ao concurso, croquis de estudos prelimi-nares e memorial descritivo (relatório do plano piloto).) encontradas no escritório Henrique Mindlin e Arqui-tetos Associados, além do depoimento de Walmir Lima Amaral e Pedro Augusto Vasquez Franco (Entrevista concedida a Aline Coelho Sanches e Jeferson Cristiano Tavares em 15/05/2002). Uti-lizamos também publicações sobre o plano, onde ele é apresentado por meio de 7 pranchas de desenhos e pelo relatório justificativo e explicativo (Módulo nº8, Rio de Janeiro, 1957. Arquitetura e Engenharia, nº44, Belo Ho-rizonte, 1957.). Além disso, contamos com o relatório manuscrito por Giancarlo Palanti que apresenta algu-mas variações em relação àquele entregue na data do concurso (este manuscrito encontra-se no arquivo do ar-quiteto, na seção de projetos da Biblioteca da FAU-USP). 4 Depoimento de Walmir Lima Amaral. Entrevista concedida a Aline Coelho Sanches e Jeferson Cristiano Tavares em 15/05/2002.  Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília 17 11  1[2010 artigos e ensaios primeiramente, do plano piloto nas suas diretrizes para o início do desenvolvimento da cidade e, posteriormente, atrelava-o ao plano diretor e regional para, então, definir de forma pormenorizada as questões e detalhes para a continuação do processo de urbanização da área. Sobre isso, os arquitetos afirmavam que o crescimento da cidade deveria negar qualquer referência às “cidades dormitórios” satélites que resultariam em grandes distâncias e desconforto em relação à moradia e ao trabalho. Vale lembrar que em 1940, Palanti já havia afrontado o problema das cidades satélites no Progetto per quattro città satellite nei dintorni di Milano  , em equipe com Franco Albini, Piero Bottoni, Renato Camus, Ezio Cerutti, Franco Fabbri, Cesare e Maurizio Mazzocchi, Giulio Minolett, Mario Pucci, Aldo Putelli.Podemos destacar a idéia prevalecente do conceito de plano piloto como diretrizes básicas. Com total predomínio no Brasil dos anos 40 e 50, a idéia de projeto de desenvolvimento regional aliada ao conceito de plano diretor local ganhou peso na proposta apresentada.O relatório ressaltava ser o plano piloto apresentado apenas a esquematização de uma tendência sugerindo que no confronto e na síntese de vários planos surgiria o direcionamento para os estudos de um Plano Diretor, entrosado com um Plano Regional - em acordo com as próprias proposições do IAB para a conformação do concurso.Para o direcionamento do plano, os princípios gerais eram: criar uma cidade imersa em áreas verdes com vias de comunicação claramente sistematizadas, setores dispostos por uma estrutura lógica, aproveitamento da conformação do terreno (RELATÓRIO OFICIAL, in Arquitetura e Engenharia, 1957, p. 27). Figura 1:  Planta do Pro- jeto. Fonte: Two Brazilian Capitals.  Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília 18 11  1[2010 artigos e ensaios Estes princípios remetem a um mecanismo, considerado como o ideal, de organização do espaço. Podemos identificar, nesta descrição, o diálogo entre os conceitos corbusianos de organização lógica e sistemática da circulação atribuindo-lhe importância na conformação da cidade, mas também às formulações americanas da unidade de vizinhança. A adaptabilidade às condições naturais, o respeito pela topografia e pela geometria desenhada pelo lago Paranoá podem ser tomadas como referências às matrizes howardianas. Esse duplo vínculo encontra uma aproximação maior ao definir a imersão da cidade num tapete verde (onde podemos antever a sobreposição das duas vertentes: a busca pela aproximação das relações entre campo e cidade e a definição abstrata corbusiana de sua cidade vertical, igualmente disposta sobre áreas verdes), predominante na caracterização urbana. O traçado viário (por onde se iniciava a descrição do desenho) configurava-se como a base estável e ponto de partida da organização e conformação da cidade a ser construída. Realizado com base no desenho do lago que assinalava o sítio e nas vias de acesso, era a partir dele que a cidade começava a se estruturar definindo-se em seguida com algumas zonas funcionais, dispondo-as segundo a conformação topográfica. “O seu traçado básico decorre da maneira com que se espraiam os braços da represa e da localização aproximada das grandes vias de acesso ao sítio da Capital e se desenvolve em torno de dois eixos principais: o primeiro, no sentido Leste-Oeste, ligando a Residência Presidencial ao ponto mais alto do sítio onde serão situadas as sedes dos três poderes da República, que se pode denominar de “Capitólio”. Ao longo desse eixo se desenvolvem as áreas destinadas aos órgãos da administração federal, com acesso fácil ao “Capitólio”, e as sedes de embaixada e legações, perto da Residência Presidencial; o segundo, no sentido Norte-Sul, cruzando o primeiro numa área destinada ao centro cívico e comercial da cidade, e ligado às zonas residenciais que se estendem nas duas direções, Norte e Sul.”  5    Figura 2: Capitólio e Setor dos Ministérios. Fonte: Two Brazilian Capitals 5  Idem, ibidem.  Plano Piloto no. 24: reflexões sobre uma proposta para Brasília 19 11  1[2010 artigos e ensaios Segundo o manuscrito de Palanti (1957), um eixo seria constituído pelas atividades públicas, admi-nistrativas e de comércio. Este deveria ser atravessado por outro eixo, o da vida particular, exatamente no centro comercial e recreativo da cidade. A proposta da equipe apresentava semelhanças com aquela vencedora, com algumas exceções como a localização do Capitólio no ponto mais alto, onde Lucio Costa havia localizado a Torre de TV. A escolha desta localização pela equipe do Plano Piloto no. 24 deveu-se à insistência de Palanti de que o ponto mais alto deveria ser o lugar representativo do Capitólio 6 . O Capitólio, bem como as áreas de tratamento médico e as áreas de lazer apropriavam-se das singelas nuances topográficas tirando partido das características naturais e, principalmente, buscava aplicar uma teoria de aproveitamento da topografia, ainda que em terreno com pequenas declividades.Em seu relatório manuscrito, Palanti citava as parkways   de algumas cidades norte-americanas como referência de suas vias. Para ele, o eixo oeste-leste deveria ser uma verdadeira parkway,  prestando-se aos desfiles, festividades e outras manifestações coletivas, com amplas sinuosidades (como as demais vias do traçado), que, adaptando-se à natureza do terreno evitariam declives excessivos e a monotonia das intermináveis vias retilíneas. A nosso ver, estas intenções revelam, antes de tudo, o desejo de aplicação de uma idéia, considerando a pouca declividade do terreno previsto para a nova capital, que não prescindiria de tais adequações. As próprias perspectivas apresentadas não mostram estas intenções. Entendemos através da escolha da perspectiva aérea para a representação de partes do plano que, primordialmente, não se tratava de mostrar uma idéia de determinadas visuais da cidade, de determinada monumentalidade ou aspecto pinturesco, mas antes de tudo, o seu esquema básico de organização. Zoneamento O zoneamento, um princípio estrangeiro utilizado para a definição das principais diretrizes do plano, protagoniza, junto ao traçado viário, a organização da cidade ao atribuir a cada função, ou conjunto de funções, uma determinada localização. Delimitando a área da cidade entre atribuições comerciais, administrativas, residenciais, de lazer, de serviços entre outras, o zoneamento pode também agrupar atividades diferenciadas numa mesma área. Como se sabe, o princípio do zoneamento como instrumento de projeto se desenvolveu em experiências alemãs, como as  siedlungen   de Ernest May, em Frankfurt, na Alemanha. Ali o zoneamento:“(...)  atua como base para organização da cidade tanto do ponto de vista técnico/estrutural como do ponto de vista compositivo/formal, e é formulado acoplado a políticas sociais” e “representam a experimentação dos princípios do zoneamento ao nível projetual, na busca da estandardização construtiva  ” (FELDMAN, 1997). .  Lembramos ainda as influências da cidade jardim nos planos de May, que condensada ao racionalismo dos edifícios, talvez fosse uma referência para o desenho dos nossos arquitetos. Estas experiências de Frankfurt foram discutidas nos CIAM, dominados em sua primeira etapa pelos arquitetos alemães. Deve-se levar em consideração que Giancarlo Palanti era membro do grupo CIAM italiano, em modo oficial desde 1947 permanecendo nele até 1956 (Palanti  já participara com membros do grupo italiano do plano AR de Milão). Este aspecto é importante para vincular o pensamento dos arquitetos do Plano Piloto no. 24 a uma discussão mais ampla e coletiva ligada aos CIAM. Vale lembrar que Palanti era assinante da revista italiana Urbanística   e participante do INU (Istituto Nazionale di Urbanistica) presidido por Adriano Olivetti, o que o atualizava nas discussões urbanísticas de então 7 . Vários projetos desenvolvidos por Giancarlo Palanti na Itália do entre-guerras, em parceria com outros arquitetos italianos apresentavam grande influência do urbanismo e da arquitetura alemã das primeiras décadas do século. Entre eles podemos citar os projetos para casas populares realizados para o IFACP (Istituto Fascista Autonomo Case Popolare) com Franco Albini e Renato Camus – destacando o conjunto Fabio Filzi   em Milão, construído entre 1936-7, ou ainda o projeto chamado Milão Verde  , projeto urbanístico para sistematização da zona Sempione-Fiera, em equipe com Giuseppe Pagano, Franco Albini, Ignazio Gardella, Giulio Minoletti, 6  Depoimento de Walmir Lima Amaral. Entrevista concedida a Aline Coelho Sanches e Jeferson Cristiano Tavares em 15/05/2002. 7 Quando Palanti muda-se da Itália para o Brasil em 1946, continua a ser membro do grupo do CIAM italiano, ain-da que com uma participação bastante reduzida devido à distância.
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