Os desafios da Educação em Computação no Brasil: um relato de experiências com Projetos PIBID no Sul e Nordeste do país

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Os desafios da Educação em Computação no Brasil: um relato de experiências com Projetos PIBID no Sul e Nordeste do país
   1  Os desafios da Educação em Computação no Brasil: um relato de experiências com Projetos PIBID no Sul e Nordeste do país ADÃO CARON CAMBRAIA *  PASQUELINE DANTAS SCAICO **   Resumo : O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) vem se tornando uma política pública importante de valorização do magistério,  possibilitando aos licenciandos atuação no seu campo de trabalho desde o início da formação. Este artigo apresenta um relato de experiências voltado  para o desenvolvimento de dois projetos de incentivo à docência em Computação, que estão sendo realizados em duas cidades situadas em regiões diferentes do país, uma no sul e a outra no nordeste, de forma que características e desafios locais são registrados e discutidos no tocante à educação em Computação nas escolas dessas regiões. Palavras-chave: Ensino de computação; identidade docente;    pensamento computacional. The Challenges of Computing Education in Brazil: an experience report with PIBID Projects in the South and Northeast of the country Abstract: The Institution Program of Scholarship for Teaching Initiation (IPSTI) has become an important public policy of teaching valorization, enabling the participation of the undergraduates in their job area since the  begging of their academic formation. This paper presents an experience explanation focused on the development of two projects on Teaching Computing Incentive, that are on course in two cities located in different regions of the country. One is in the south and the other one is in the northeast, so their local characteristics and challenges are registered and discussed towards the Computing Education in schools of these regions.  Key words:  Computing teaching; teaching identity; computational thought. *   ADÃO CARON CAMBRAIA  é Professor do Curso de Licenciatura em computação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha e doutorando em Educação nas Ciências. **   PASQUELINE DANTAS SCAICO  é Professora do Curso de Licenciatura em Computação da Universidade Federal da Paraíba e doutoranda em Computação.   2  Introdução A importância das tecnologias para os  jovens dessa geração é muito latente. Possivelmente eles se envolverão com empregos que nem sequer existem hoje. Este cenário enfatiza a necessidade de oferecer uma educação que lhes  proporcione, a habilidade de trabalhar com diferentes conhecimentos  produzidos pela Computação e de explorá-los a seu favor não apenas no campo da diversão e do entretenimento. Muitos pesquisadores, que têm estudado o uso de jogos digitais como ferramentas alternativas para avaliar as competências que os estudantes estão desenvolvendo, reconhecem a importância deles serem capazes de utilizar a criatividade, a srcinalidade e, também, o pensamento computacional quando precisam resolver problemas e encontrar boas soluções (SHUTE e VENTURA, 2013). Alguns países vêm reconhecendo a necessidade de atualizar os seus sistemas educacionais no que se refere à educação em Computação. Nos Estados Unidos, o modelo que está sendo experimentado chama atenção para conteúdos que permitem o alcance da chamada Educação Imperativa, que é aquela onde mais importante do que aprender temas ligados à tecnologia está a capacidade de desenvolver nos estudantes o pensamento computacional e a sua autonomia para a resolução de  problemas. Na academia, muitas revisões da literatura evidenciam a necessidade de ampliar os esforços dos  pesquisadores no que se refere ao conhecimento que se possui sobre o  porquê de ensinar Computação nas escolas, de como os conteúdos deveriam ser ensinados, que tópicos deveriam ser lecionados e para quem esta educação poderia ser significativa.   3Pode-se dizer que no Brasil os esforços  para iniciar a discussão deste tema começaram com a oferta dos cursos de Licenciatura em Computação (LC). O licenciado em Computação é um  professor da educação básica que tem como missão pensar o uso efetivo das tecnologias na escola, para uma apropriação dos benefícios que podem surgir com as redes de informação, as tecnologias sociais e o conteúdo digital de caráter instrucional, mas também de ser um educador da Ciência da Computação enquanto uma ciência. Para licenciados e estudantes da licenciatura em computação os desafios são grandes. Os currículos escolares  brasileiros não contemplam o ensino de informática, tampouco o de Ciência da Computação, mesmo que as entidades governamentais reconheçam os  benefícios das tecnologias no âmbito  pedagógico e tenham referendado a abertura dos inúmeros cursos de licenciatura. Com base neste panorama, os cursos superiores têm procurado construir a identidade do licenciado em Computação a partir da sua realidade e da abertura que as escolas locais lhes dispõem. Este artigo apresenta um relato de experiências de dois cursos de LC, localizados em regiões distintas (Sul e Nordeste), que têm procurado fortalecer a formação dos seus estudantes, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), sobretudo por acreditar no potencial que a Computação possui para contribuir com o desenvolvimento de cidadãos mais capacitados e com um modelo de escola que compreenda o novo papel que o uso da tecnologia pode assumir frente a um mundo conectado e em constante mudança. A experiência do PIBID no Instituto Federal Farroupilha – Campus Santo Augusto O Rio Grande do Sul possui seis cursos de Licenciatura em Computação, sendo um deles ofertado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha, situado no município de Santo Augusto, que faz parte da região celeiro. Possui quatorze mil habitantes e sua economia é baseada na agricultura e comércio. Com o Instituto, a cidade se transforma em um centro de educação na região. O curso de LC foi criado em 2008, possui a duração de quatro anos e conta com uma carga horária de 2967 horas. 1  Além de projetos de ensino,  pesquisa e extensão, se aderiu ao PIBID no edital de 2009. O PIBID da LC atende a quatro escolas  públicas do município de Santo Augusto, onde participam 20 licenciandos, quatro supervisores (professores da educação básica), um coordenador de área (professor do Curso de Licenciatura em Computação, que no momento da produção desse artigo é o autor do relato) e um coordenador institucional. Os alunos selecionados cumprem um total de doze horas na escola: oito em sala de aula e quatro de planejamento. No  planejamento são acompanhados pelo  professor-supervisor e coordenador de área. A cada quinze dias é realizada uma reunião geral para pensar e discutir o andamento das aulas, os projetos desenvolvidos e fazer leituras de textos sobre educação e tecnologia. Nessas reuniões, os bolsistas apresentam suas reflexões, discutem e produzem artigos, a partir da reflexão sobre a prática. Na 1 Para maiores detalhes acessar o PPC em: http://www.sa.iffarroupilha.edu.br/site/conteudo.php?cat=55    4medida em que se verifica o crescimento nas suas produções, incentiva-se a participação e apresentação de trabalhos em congressos. Entende-se que esse  processo é fundamental, pois ouvem outros pesquisadores e aprimoram suas  produções através do ciclo dialético da  pesquisa (MORAES, 2002). Trata-se de um incentivo a constituição do  professor-pesquisador desde a formação inicial.   Acredita-se na urgência da criação de  políticas de formação inicial e continuada de professores, vinculando cursos de licenciaturas a professores em atividade, para colaborarem para uma educação outra, onde a pesquisa e o aprender a aprender prevaleçam. Somente professores que pesquisam e refletem acerca da sua prática tornam os alunos mais ativos e curiosos para a  produção do conhecimento. Ao interagir com professores em atividade, os alunos da licenciatura vivenciam as dificuldades, as melhores formas de tratar determinadas situações, contribuem com seu conhecimento e  participam da execução de boas experiências. Para maioria dos alunos bolsistas PIBID trata-se da primeira experiência como docente, o que é um desafio. A insegurança com os conteúdos, medo de falar em público são algumas dificuldades que esses jovens encontram ao chegar à escola. Por isso, ao iniciar o ano letivo, permanecem um tempo acompanhando as atividades: conversam com docentes e combinam futuros projetos, observam as aulas dos  professores, entrevistam alunos e organizam uma proposta de trabalho, que será discutida com os professores-supervisores e coordenador de área. Para construir essa proposta de trabalho se aplica um questionário com a intenção de entender a cultura da comunidade escolar. Diante do resultado do questionário e entrevistas, organizou-se o trabalho em dois eixos: a) o trabalho de inclusão digital com alunos e professores; e b) introdução do pensamento computacional. Em nenhum dos eixos se desenvolveu aulas de informática, mesmo ao perceber que a maioria dos alunos não possuem acesso a tecnologias em suas casas. Se entendeu que não é papel da escola o desenvolvimento de cursos de informática e sim da construção de uma  proposta que privilegie a fluência tecnológica e o pensamento computacional. Como alguns professores demonstraram interesse em interagir com seus alunos, a partir das tecnologias digitais, desenvolveu-se uma comunidade virtual de prática para potencializar a fluência tecnológica dos professores (CAMBRAIA, 2012). Nesse espaço, os  bolsistas agem como articuladores e mediadores, pois disponibilizam: softwares educacionais; textos sobre educação, ideias sobre projetos interdisciplinares e endereços de trabalhos publicados na internet pelos alunos. Trata-se de um espaço para  potencializar discussões, socializar tecnologias e promover uma maior comunicação entre os docentes e alunos das escolas. O professor e o bolsista, dessa forma, atuam como orientadores,  problematizadores, construindo relações entre o conhecimento cotidiano dos alunos e o conhecimento científico.  No trabalho com os alunos são realizadas ações que permitem repensar e reorganizar atividades realizadas no dia-a-dia na escola. Geralmente, os trabalhos extra-classe eram realizados em casa e o laboratório de informática ficava fechado. Diante disso, propôs-se   5que esse espaço permanecesse aberto. Assim, o laboratório de informática foi disponibilizado extraclasse para que os alunos elaborassem seus trabalhos escolares. Em algumas escolas se  percebeu o desenvolvimento de uma grande desenvoltura dos alunos com a fluência tecnológica: os próprios alunos se encarregam de socializar seus conhecimentos, pois com o que sabem é  possível estruturar um currículo para trabalhar por muitos anos. As crianças e adolescentes são verdadeiros peritos em utilizar computadores, decifram códigos, descobrem como instalar jogos  protegidos (quanto mais protegido, maior o desafio). Assim, para a mesma disciplina surgem várias formas de socialização e elaboração do conhecimento: entrevistas gravadas em vídeo, gravação de programas de rádio, construção de blogs ou sites, etc. Com isso, professores e bolsistas estão informados sobre o que os alunos conseguem desenvolver e  potencializam, a partir disso, um ciclo de trocas. Além de proporcionar essa maior comunicação entre os diversos agentes do grupo, o bolsista pode socializar o conhecimento da ciência da computação como uma forma de desmistificar as crenças que são construídas para a informática e entender quais são as possibilidades e os limites da computação. A introdução do pensamento computacional na escola é um movimento em construção. Atualmente tem aparecido como o ensino de uma linguagem de programação (CAMBRAIA; OLIVEIRA, 2012) e com a robótica. Também está presente como o ensino da computação sem computadores (csunplugged.org). Nesse contexto, nosso trabalho no campus Santo Augusto ainda permanece nos estudos acadêmicos com algumas aproximações do espaço da escola. A introdução do pensamento computacional na escola é recente e não nos permite uma avaliação mais rigorosa, mas já é possível encontrar trabalhos apresentados em congressos que comprovam a eficiência de atividades desplugadas na escola (FRANÇA; SILVA; AMARAL, 2012) e (SCAICO et al, 2012a). Com isso, entendemos que o pensamento computacional “não se trata de uma técnica e sim como uma forma de organização do pensamento e de resolução de problemas” (BARCELOS; SILVEIRA, 2012), que conforme os autores pode ser trabalhado de forma interdisciplinar, como por exemplo, com a Matemática. Assim, rompendo com a tendência de manter uma elaboração linear e fragmentada de conteúdos, que não contempla as inter-relações de conhecimentos. A experiência do PIBID na Universidade Federal da Paraíba - Campus IV – Rio Tinto A Paraíba possui dois cursos de Licenciatura em Computação, sendo um deles ofertado pela Universidade Federal da Paraíba no Centro de Ciências Aplicadas e Educação, na cidade de Rio Tinto, que se localiza a 60 km da capital João Pessoa e possui 20 mil habitantes. O curso foi criado em 2006, possui duração de quatro anos e meio e conta com uma carga horária de 3.015 horas, distribuídas em nove semestres 2 . O PIBID da Licenciatura em Computação na Universidade Federal da Paraíba atende a uma escola pública do município, onde participam 24 licenciandos, dois supervisores e coordenador de área. A escola do  projeto possui cerca de 900 estudantes 2 Para maiores detalhes acessar o PPC em: http://www2.ccae.ufpb.br/computacao 
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