Comunicação e mobiliza

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  EJES TEMÁTICOS: 2. La extensión rural en los procesos de desarrollo en elnuevo siglo SUB-EJES TEMÁTICOS: a. Desafíos y oportunidades de la Extensión Rural PROGRAMA DE RÁDIO: UMA FERRAMENTA PARA A EXTENSÃORURAL E UM ESPAÇO DE FORMAÇÃO  BALEM, Tatiana Aparecida; SILVEIRA, Ada C. Machado; BALEM, Jeniffer;DELALÍBERA, Patricia; AMARANTE, Adriana Almeida do; MAROSTEGA, VagnerRolim; SECRETTI, DionasEssa discussão é uma reflexão de um projeto de extensão realizado pelo InstitutoFederal Farroupilha, campus Júlio de Castilhos. O projeto de extensão “Programade Rádio” visava levar e discutir assuntos técnicos, assim como assuntosrelacionados ao meio ambiente, cultura e estilos de vida do meio rural, tendocomo foco principal a Agricultura Familiar e a Agroecologia. O projeto teve porobjetivos integrar a cultura, proporcionada pela Rádio à questões científicas etécnicas voltadas ao meio rural e proporcionar aos educandos espaçosdiferenciados de formação, além de levar conhecimento e informações aosouvintes sobre Agroecologia e tecnologias para a Agricultura Familiar. Osprogramas de rádios eram elaborados pelos alunos da disciplina de Sociologia eExtensão Rural do curso técnico em Agropecuária e por alunos bolsistas doprojeto. O projeto teve o apoio da Rádio Quatorze de Julho e foi ao ar uma semanapor mês nos meses de maio a dezembro de 2011, entre as 7:50h e 8:00 horas damanhã. O programa de rádio pode ser classificado como um Método Massal deextensão rural, ou seja, um método capaz de atingir um grande número depessoas ao mesmo tempo. A educação para o campo, vista não como um fim emsi mesmo, mas como um instrumento capaz de desenvolver as potencialidadesinstaladas, necessita considerar as pluralidades existentes nesse meio. Aproposta do projeto, buscou adequar um instrumento de extensão rural, com odesenvolvimento de potencialidades dos educandos, aliada a disponibilização deinformações aos agricultores e outros radio-ouvintes. Dessa forma, através doprograma os educandos do IFFarroupilha, campus Júlio de Castilhos contribuíramcom a sociedade de Júlio de Castilhos, levando informações relevantes,desenvolveram habilidades que serão importantes no exercício futuro daprofissão, divulgaram seus cursos, e entraram em contato com a culturaproporcionada pelo rádio. O projeto proporcionou um importante espaço deformação para os alunos e teve uma boa repercussão nos radio-ouvintes.  Palavras-chave: programa de rádio, educação, cultura, agroecologia 1- AGRICULTURA FAMILIAR, FORMAÇÃO PROFISSIONAL, AGROECOLOGIAE COMUNICAÇÃO  A educação profissional e tecnológica tem como concepção formar cidadãoscapazes de se integrar no mundo do trabalho, dessa forma as competênciasnecessárias vão além das técnicas. A formação deve priorizar todos os aspectosda formação do ser humano, não apenas os aspectos técnicos desvinculados darealidade. Uma formação diferenciada e mais humanista, deve ser objetivo daformação profissional.Essa concepção também busca relacionar as diversas áreas doconhecimento com a realidade de trabalho da formação profissional, além desuperar o aspecto histórico do “treinamento” para o mercado do trabalho, assimobjetiva que a formação considera os educandos como seres políticos e inseridosem um contexto cultural. A formação deve buscar preparar pessoas para serempropositivos, críticos e dessa forma construírem as suas esferas de atuação.A região de abrangência do Instituto Federal Farroupilha campus de Júlio deCastilhos, possui como arranjos produtivos rurais a agricultura empresarial,principalmente voltada à produção de grãos como soja, milho e trigo (Ex.:municípios de Júlio de Castilhos e Tupanciretã); e a agricultura familiar(principalmente na região da Quarta Colônia e nos Assentamentos de ReformaAgrária). A incorporação de um ideário urbano e de valorização da produção dagrande propriedade no desenvolvimento da agricultura brasileira marginalizou aAgricultura Familiar. Segundo Guanziroli et al (2001), as políticas específicas dosetor agrícola, voltadas às grandes oligarquias rurais, e a visão de que caberia àagricultura financiar o desenvolvimento urbano-industrial, liberar mão-de-obrabarata para a cidade e produzir produtos de exportação, coloca a AgriculturaFamiliar num contexto periférico e excludente. Guanziroli et al (2001) discutemque a comparação do progresso técnico na agricultura é comprado com o daindústria, onde escala e eficiência andam juntas e justificam as estratégias deprodução adotadas nas grandes propriedades, assim a Agricultura Familiar éconsiderada não-competitiva.A Agricultura Familiar no município de Júlio de Castilhos e região estáfortemente vinculada com a grande propriedade, hoje produtora de grãos(principalmente soja), mas que se srcina no latifúndio pastoril (MOREIRA, 2008).Dessa forma os agricultores familiares tendem a reproduzir o modelo da região,com uma agricultura pouco diversificada, onde a soja e o leite, na maioria daspropriedades são os produtos principais (BALEM, SECRETTI E MOROSTEGA, 2011).Nesse cenário, de pouca diversificação, muitas vezes a informação a cerca detecnologias diferenciadas e cultivos comerciais potenciais e alternativos aosdesenvolvidos localmente não são de conhecimento dos agricultores familiares.Por outro lado, as fortes pressões da agricultura empresarial, e expressivaquantidade de estabelecimentos agrícolas familiares, requerem discussão detecnologias que sejam adaptadas as realidades locais. Parte-se do pressupostoque não é possível tratar de forma homogênea o que é heterogêneo. A agriculturamoderna busca enquadrar os agricultores e cultivos às tecnologias, com aAgricultura Familiar é necessário o caminho inverso, pela importância dessesegmento e pela diversidade cultural envolvida. No Censo Agropecuário de 2006 foram identificados 4.367.902estabelecimentos de agricultura familiar. Eles representavam 84,4% dototal, mas ocupavam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da áreados estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos nãofamiliares representavam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da sua área  (IBGE, 2006). Nesse cenário, um fator a ser questionado é: até que ponto os alunos doscursos técnicos voltados ao meio rural conhecem realmente a realidade rural daregião? Em uma pesquisa onde foi analisado a realidade de docência na disciplinade Sociologia e Extensão Rural do curso Técnico em Agropecuária subseqüente aoEnsino Médio do Instituto Federal Farroupilha, campus Júlio de Castilhos, os alunosforam questionados sobre como percebem a disciplina de Sociologia e Extensãorural. Todos afirmam que é importante e interessante para o desempenhoprofissional, que trabalha os meios necessários para trabalhar com osagricultores, sendo que em várias respostas aparece a questão da agriculturafamiliar, como um conhecimento importante.A menção dos alunos ao conhecimento sobre agricultura familiar, talvezaponte para o enfoque do curso, que forma muito mais para trabalhar com oagronegócio e com grandes propriedades. De acordo com Coelho (2010, p. 174),“o vínculo entre trabalho e educação profissional é visto comumente em termosde qualificação e demanda de competências, minimizando, assim, a importânciada subjetividade do trabalhador diante de tantas transformações”. Nesse sentido,parece que o curso Técnico em Agropecuária está priorizando a formação maisfocada na instrumentalização para o mercado do trabalho de empregados rurais,e menos como gestores de empreendimentos rurais. Os agricultores familiaresnum curso que dá ênfase em grandes culturas e de baixo valor agregado, acabamficando negligenciados.Outra questão fundamental é: para que modelo serve a formaçãoprofissional nas Ciências Agrárias?É necessário repensar a formação profissional diante do risco iminente dese formar jovens profissionais ainda comprometidos em difundir pacotestecnológicos sem considerar a diversidade de tipos sociais, muito menos questõescomo sustentabilidade (SILVEIRA e BALEM, 2004). Silveira e Balem (2004)argumentam pela necessidade de repensar a intervenção nos agroecossistemaspresentes no espaço rural, pois os profissionais formados talvez não estejampreparados para compreender a complexidade da ação em unidades de produçãoagrícolas familiares e da Agroecologia.Diante do reconhecimento da agricultura familiar na década de 1990, tantona dimensão política, o que implicou em políticas públicas específicas para estesegmento não somente majoritário, mas estratégico para um desenvolvimentorural economicamente mais equânime, socialmente mais justo e ambientalmentemais sustentável; como também na dimensão acadêmica, onde a pesquisa e aextensão passam a focar a agricultura familiar como seu objeto de estudo e ação,sendo, no entanto, pouco significativas as mudanças no ensino nos aspectosmetodológicos e de conteúdo. Permanecem as instituições de ensino, tanto emnível médio como no ensino superior, presas a um paradigma herdeiro darevolução verde, onde a maximização da produção e produtividade são os únicoscritérios de validação tecnológica.De acordo Schaun (2002) a informação é um fator fundamental para aeducação e faz frente a mundialização dos intercâmbios culturais e àmundialização da economia.  o paradigma da educação, no seu estatuto de mobilização, divulgação esistematização de conhecimento, implica acolher o espaço interdiscursivo emediático da comunicação, como produção e veiculação de cultura,fundando um novo locus - o da inter-relação comunicação/educação(SCHAUM, 2002, p. 18). Nesse contexto de necessidade de transformar a formação profissional ecolocar os alunos em contato com a agricultura familiar, com a comunicação ecom a discussão de sistemas de produção mais sustentáveis, surgiu o projeto deExtensão “IFF em foco: levando informação à sua propriedade”, que era umprograma de rádio desenvolvido na disciplina de Sociologia e Extensão Rural doscursos técnicos em Agropecuária e por alunos bolsistas do mesmo curso.Os Institutos de Educação Ciência e Tecnologia tem como objetivo serpromotor do desenvolvimento local, não apenas fortalecendo as atividadesprodutivas existentes, mas também sendo propositivos ao padrão dedesenvolvimento (PDE, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, 2008).Dessa forma, o projeto Programa de Rádio, ao se propor discutir as questõesrelacionadas e necessárias para o desenvolvimento da Agricultura Familiar, assimcomo a Agroecologia, contribui com as diretrizes dos institutos federais, aomesmo tempo que aborda assuntos de extrema relevância para os agricultores. Oprograma de rádio IFF em Foco: levando informação à sua propriedade tem porobjetivo proporcionar conhecimento e informações à comunidade de Júlio deCastilhos, despertando-a para a Agroecologia e para a necessidade de tecnologiaspara a Agricultura Familiar, além de integrar a cultura, proporcionada pela Rádioà questões Científicas e técnicas voltadas ao meio rural e proporcionar aoseducandos espaços diferenciados de formação. Esse trabalho ter por objetivorefletir sobre a experiência e difundir a possibilidade de se desenvolver canaisdiferenciados de levar ao agricultor (a) familiar informação e conhecimento, aomesmo tempo em que se trabalha a formação profissional dos alunos. 2- METODOLOGIA Essa é uma pesquisa de caráter qualitativo, onde os resultados de umprojeto de extensão e da docência na disciplina de Sociologia e Extensão Rural docurso Técnico em Agropecuária do Instituto Federal Farroupilha, campus Júlio deCastilhos, possibilitam os instrumentos necessários para a reflexão. O projeto deextensão, programa de rádio, surgiu através do trabalho da disciplina deSociologia e Extensão Rural dos cursos Técnicos em Agropecuária. Durante adisciplina são trabalhados os conceitos básicos para os alunos aprenderem aconstruírem os programas de rádio. Após esse momento os alunos selecionam omaterial necessário para a redação do programa, ou seja, as informaçõestécnicas, científicas, culturais e sociais. Em duplas, os alunos constroem oprograma e ensaiam juntamente com os colegas, em sala de aula. Quando osprogramas estão prontos e os alunos familiarizados com microfone e outrosequipamentos necessários, os programas são gravados nos estúdios da rádio 14de Julho, de Júlio de Castilhos. Os programas vão ao ar, durante um período (umaou duas semanas), de segunda a sábado, das 7:50h às 8:00h da manhã. Osbolsistas do projeto, também são responsáveis pela elaboração de programas  assim como da locução dos mesmos.Nos anos de 2009 e 2010, os assuntos eram relacionados a vários temas,porém para os programas do ano de 2011 foi definido o Eixo Agroecologia e Tecnologias para a Agricultura Familiar, como norteador dos programas. Osprogramas de rádio do projeto “IFF em Foco: levando informação a suapropriedade”, tem duração média de dez minutos e são apresentados noprograma “Show da Manhã”, no quadro “Panorama Rural” da rádio 14 de Julho, àssete horas e cinquenta minutos. Esse espaço era de uma ou duas semanas, umavez por semestre nos anos de 2009 e 2010. Porém, no ano de 2011, o projeto foireformulado e os programas estão sendo apresentados na última semana do mês,desde o mês de maio. 3- DISCUSSÃO DA EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA DE RÁDIO IFF EM FOCO O projeto de extensão “Programa de Rádio” surgiu no primeiro semestre doano de 2009 como uma atividade prática da disciplina de Sociologia e ExtensãoRural. Essa disciplina é ministrada em todos os cursos da área Agropecuária doIFFarroupilha campus Júlio de Castilhos. Parte do conteúdo programático dareferida disciplina visa trabalhar Metodologias de Extensão Rural e, dentre essasmetodologias, encontra-se o programa de rádio. O programa de rádio pode serclassificado como um Método Massal de extensão rural, ou seja, um métodocapaz de atingir um grande número de pessoas ao mesmo tempo. O rádio tem acapacidade de multiplicar a mensagem, levando uma informação a centenas oumilhares de pessoas, enquanto os contatos individuais ou com grupos podematingir apenas uma ou algumas pessoas.No ano de 2009, durante a aula de Sociologia e Extensão Rural foiconstituído o primeiro programa de rádio. As turmas do cursos de Zootecnia eAgricultura, na modalidade subsequente ao ensino médio, criaram o programa derádio, com o Apoio da Rádio 14 de Julho de Júlio de Castilhos. Dessa forma,constituiu-se o projeto do Programa de rádio “IFF em Foco, levando informação asua propriedade”. Desde então todas as turmas de Sociologia e Extensão Rural dosemestre, criam seus programas de rádio e os mesmos vão ao ar na rádio 14 de Julho, que é parceira do projeto e disponibiliza toda a infra-estrutura e asorientações necessárias para a gravação dos programas. Além disso, disponibilizao espaço para os programas serem apresentados.As tecnologias de comunicação e informação devem ser utilizadas pelaextensão rural como instrumentos facilitadores ou como ferramentas operacionaispara apoio ao processo de comunicação e informação (MONTEIRO e PINHO, 2007).A utilização das estratégias de comunicação, isoladas ou combinadas, serãodirecionadas para despertar o desejo e estimular a disposição das pessoas para aação (ANDRADE NETO e CALLOU, 2007). O programa de rádio, como método deextensão, é pouco discutido, porém avalia-se, que o mesmo é de potencialidadeimportante para ações de extensão.Segundo Miura (2011, p. 02) “o rádio pode servir como instrumento deeducação, de formação e de conscientização, especialmente junto àscomunidades rurais, por ser um veículo democrático, por excelência". A autora aodiscutir o programa “Prosa Rural” da Embrapa, afirma que o mesmo tem como
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