“Bem-aventurado aquele que perseverar” (Dn 12,12

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“Bem-aventurado aquele que perseverar” (Dn 12,12
   1 “Bem - aventurado aquele que perseverar” (Dn 12,12) 1  Uma introdução ao livro de Daniel RESUMO Um dos períodos mais conturbados e de maior perseguição na história do povo judeu foi o reinado de Antíoco IV Epífanes (175-164). Foi quando as lideranças judaicas, agrupadas no templo, decididamente abandonaram as tradições dos seus ancestrais e assumiram a religião do império. O livro de Daniel nasce neste meio como sinal para a resistência popular. A literatura apocalíptica, da qual Daniel é a maior expressão no Primeiro Testamento, tem esta  peculiaridade: fortalecer a resistência e reacender a esperança. ABSTRACT The reign of Antiochus Epiphanes IV (175-164 BC) was one of the most turbulent periods and marked by the worst persecution in Jewish history. It was the time when the leaders of Jewish religion, being centered around the Temple, consciously abandoning their ancestral traditions, holding on to the religion of the Grecian Empire. The Book of Daniel was a  product of this period to be the sign the popular resistance. As the highest expression of the Apocalyptic literature of the First Testament, the Book of Daniel presents these particularities: strengthening the resistance and rekindling the hope. É tempo de falar de esperança! Quando em, 21 de fevereiro de 1990, a Frente Sandinista de Libertação Nacional perdeu as eleições na Nicarágua, parecia que chegara o fim de uma utopia. É difícil descrever o que se sentiu naquele dia. Lembro-me de uma senhora, do bairro Sócrates Sandino, nós a chamávamos de doñ a Tona, dizer: “Me siento  como si hubiera  perdido un hijo más”. Tantas pessoas que haviam dado a sua vida pela revolução, tantos mártires... Tantos e tantas que deixaram seu país para prestar anos de solidariedade..., sofrendo perseguições, calúnias, insegurança, medo... para ver tudo desmoronar num só dia. Infelizmente a corrupção interna e, principalmente, uma década de guerra de baixa intensidade, promovida pelo império dos EUA, se encarregaram de minar um sonho que quase se tornara realidade. De tempo em tempo nossas esperanças são podadas. Basta que elas cresçam um pouco para que alguém ou alguns cheguem e se encarreguem de pôr fim àquele que parecia ser o rumo certo. É então que tudo parece desmoronar. Vem o desespero, o descrédito, a desesperança. “  Não tem jeito mesmo, é melhor cuidar das minhas coisas ” , dizemos então. O livro de Daniel  pretende ser um alento para esses momentos. 1. Daniel e os escritos  Não sabemos ao certo por que os Escritos (por volta do ano 90 d.C.) foram ordenados na atual seqüência, nem por que a TANAK  2  termina com o livro de Crônicas. Possivelmente, em vista do povo na diáspora, a conclusão do livro de Crônicas, conclamando o povo judeu a voltar  para a terra de Judá, seja um elemento que pesou na balança. 3  Porém, como amarrar o início, 1  Agradecimento especial à equipe do Centro Bíblico Verbo e a Milton Schwantes. 2   A palavra TaNaK reúne as iniciais de Torá  (Lei),  Nebiim  (Profetas) e  Ketubim  (Escritos).   3  Principalmente se consideramos a situação, por volta do ano 90 d.C., quando o templo fora destruído e a comunidade judaica vivia dispersa, fora de Jerusalém.   2 livro do Gênesis, com o final, livro de Crônicas? Será pela retomada que Crônicas faz da história desde Adão (Cr 1,1s.), como o Gênesis? As mesmas dúvidas pairam sobre a posição do livro de Daniel: antes de Esd, Ne e Cr e depois de Ec, Lm e Est. O fator cronológico não parece ter um papel determinante, pois, nesse caso, a seqüência deveria ser outra. Se a seqüência canônica da TANAK em três blocos se dá pela importância que cada um teve e tem na liturgia, então se poderia supor que a ordem interna de cada bloco também deveria obedecer a mesma razão. Porém, isso é difícil de se assegurar. De tal maneira que, por enquanto, somente podemos conjecturar. Se a defesa do judaísmo pode ser considerada como um aspecto comum entre as últimas obras dos escritos, então é possível encontrar ali um fio condutor. Por exemplo, enquanto o livro das Lamentações chora a Jerusalém destruída, solitária e desabitada, o livro de Crônicas mostra a grandeza da história do judaísmo, concluindo com o anúncio da libertação e convocando o  povo para a volta: “Aquele, dentre vós, que pertence ao seu povo, que volte e esteja com ele seu Deus” (2Cr 37,23c). O livro de Coélet ridiculariza a grande novidade comercial do helenismo e sua sabedoria, e resgata os valores da vida simples, desapegada e agradável do cotidiano. Esdras e Neemias, de modo pacífico, abordam a reconstrução de Jerusalém e a reorganização do judaísmo ao redor da lei. No centro estão Ester e Daniel, dois livros que se assemelham muito: um vem imediatamente depois do outro, ambos têm o ambiente da corte como palco de suas narrativas e em ambos acontece um embate direto com o império. 4   2. A formação do livro 5  O livro Daniel provavelmente não surgiu de uma só vez. Apesar de apresentar unidades concisas, a composição, como um todo, é bem fragmentada. Por exemplo, a obra foi escrita em duas línguas: 6  em hebraico (1,1-2,4a e 8,1-12,13) e em aramaico (2,4b-7,28). Só isso já  basta para perceber que o texto não é obra de um único autor. 7  Outra diferença que chama a atenção é a narrativa que, nas unidades 1,1-7,1 e 13,1-14,42, está na terceira pessoa e, na unidade 7,2-12,13, na primeira pessoa. Além dessas, existem outras  pequenas divergências que valem a pena sinalizar. Em 1,19 o rei já conhece Daniel. Porém, em 2,25, Daniel precisa ser apresentado ao rei. Conforme 1,5, Daniel necessita de três anos de formação para poder servir na corte. No entanto, em 2,1.25, no segundo ano de  Nabucodonosor, Daniel já serve ao rei. Em 6,29 é mencionado o governo persa, porém, em 7,1s. continuamos no reinado de Baltazar, rei da Babilônia. Se tomássemos o critério lingüístico como base, deveríamos dividir a obra em duas partes: 1,1-2,4a; 8,1-12,13 e 2,4b-7,28. Porém, se considerarmos o conteúdo e o estilo, chegaremos a outro resultado. Os caps.1-6 se assemelham muito entre si, especialmente os caps.2-6. Eles se 4  Percebamos que as preocupações da literatura produzida durante o período persa são diferentes em relação às  preocupações da literatura produzida durante os domínio grego. A primeira se ocupa com problemas de nível mais interno, enquanto que a segunda se preocupa em neutralizar a influência externa. O fato é que a política do domínio persa visava essencialmente o econômico. A grega, porém, queria também a alma dos povos conquistados.   5  Queremos lembrar que estamos abordando o livro de Daniel na TANAK, onde os cap.13 e 14 estão ausentes.   6  Na Septuaginta encontramos ainda acréscimos em grego: 3,24-90 e 13,1-14,42. Estes acréscimos e a diferença entre o texto grego e o aramaico de 4,1-6,29 levam a crer que a LXX serviu-se de um texto base distinto. 7  Veja Rafael Rodrigues da Silva,  Movimentos entre a imaginária da opressão e o imaginário da esperança  –   Uma leitura do livro de Daniel  , em: RIBLA, n.39, Petrópolis/São Leopoldo, Editora Vozes/Sinodal, 2001, p.82-100.     3 caracterizam pela ênfase nos sonhos e pelo gênero novelístico, de tal maneira que, nestes capítulos iniciais, encontramos uma grande unidade. Os caps.7-12 privilegiam as visões e se caracterizam pelo seu gênero autenticamente apocalíptico. A primeira parte (1-6) se identifica com a novela de José do Egito (Gn 37,2-50,26), com a diferença que, em Daniel, nem sempre as interpretações favorecem o rei. Distintamente da segunda parte (7-12), na primeira (1-6), o rei tem presença constante e desenvolve, junto com Daniel e seus companheiros, um papel central. Nabucodonosor, por exemplo, é abordado como quem tem muito apreço pelo “Deus dos santos”. Com poucas exceções, as relações de Dan iel com o rei na corte são bastante cordiais. Na segunda parte, o panorama muda completamente. Aqui desaparece a simpatia  pelo rei e aparecem as visões que preconizam o fim dos impérios: julgamento, condenação e destruição. No lugar dos impérios bestiais e temporais surge um reino humano-divino e definitivo. Enfim, propomos a seguinte estrutura: a) 1,1-21 Introdução: Daniel e seus amigos na corte de Nabucodonosor.  b) 2,1-6,29 Novelas bíblicas: Deus protege a quem lhe é fiel. c) 7,1-12,13 Fim dos impérios bestiais e começo do reinado humano-divino. 3. Data e autor As constantes referências a Antíoco IV Epífanes, nos levam a afirmar que, com grande  probabilidade, o livro foi composto, senão na totalidade, em sua maior parte entre os anos 175-164 a.C. As menções da profanação do templo, da proibição dos sacrifícios diários, da construção de um altar a Júpiter Olímpico (11,31; 12,11) da guerra macabaica, do martírio dos  justos (11,33s.), nos possibilitam apontar o ano 165 a.C. como data mais provável. Assunto mais complexo é identificar seu autor ou autores. O nome Daniel, que significa “Deus é meu juiz” , 8  certamente é um pseudônimo que faz jus a um dos temas centrais do livro: o julgamento dos impérios por Deus. A primeira parte (1-6), possivelmente tem como referencial os jovens piedosos de Jerusalém, contrários ao helenismo. A segunda parte (7-12),  por sua ênfase na história e por sua proximidade com o livro dos Macabeus, parece pertencer ao mesmo grupo da obra macabaica. Portanto, os hasidim   “piedosos” (1Mc 2,42;7,13;2Mc 14,6), com suas diferentes perspectivas, são os autores mais prováveis. 4. O Texto O cap.1 introduz todo o livro de Daniel, situando-o ardilosamente no contexto babilônico (598-539). Daniel e seus companheiros seriam judeus deportados e posteriormente educados  para trabalhar na corte do rei Nabucodonosor. 9  Mesmo dentro do palácio, a serviço do rei, Daniel e seus companheiros continuavam fiéis a JHVH e aos princípios de seu povo. É assim que o cap.1 apresenta um dos temas centrais que perpassará todo livro: a resistência da cultura judaica. 8  Talvez o nome seja inspirado em Ez 14,14; 28,3.   9  Dn 1 apresenta elementos que nos ajudam a compreender uma das tarefas principais dos exilados: o serviço na corte. Para tanto, os jovens precisavam ser de sangue real ou de família nobre, sem defeito, com boa aparência física e instruídos nas ciências. Daniel e seus companheiros, portanto, possivelmente fizeram parte da primeira deportação (veja 2Re 24,8-17; Jr 52).   4 A partir do cap.2 começa o que preferimos chamar de “novelas bíblicas”, de cunho apocalíptico, e que vão até o cap.6. Todas seguem um esquema similar. A primeira trata do sonho do rei Nabucodonosor com uma imensa estátua, simbolizando os cinco grandes impérios: babilônio, medo, persa e grego, este último subdivido em alexandrino e ptolomeu-selêucida. Após o fracasso dos sábios da Babilônia, Daniel consegue decifrar, com o auxílio de Deus, o sonho e seu enigma. A novela conclui com um louvor do rei e uma recompensa a Daniel e seus amigos. Vale sinalizar que aqui já aparece o anúncio escatológico do reino suscitado por Deus (2,35.44), tema que se tornará constante na segunda parte. A segunda novela (Dn 3) trata também de uma enorme estátua, esta não vista em sonho por  Nabucodonosor, mas construída por ele para que fosse adorada por todas as pessoas do império. Os companheiros de Daniel se opõem ao culto, sendo, por isso, lançados numa fornalha ardente, donde são salvos pelo anjo de Deus. O final é similar ao anterior: um louvor do rei ao Deus altíssimo e a premiação dos três jovens. A terceira novela (Dn 4) trata do sonho de Nabucodonosor com uma imensa árvore, o império  babilônio, que alcançava os confins da terra e cuja destruição era anunciada pelo anjo de Deus. Também aqui os sábios da Babilônia não conseguem decifrar o seu significado, cabendo a Daniel fazê-lo. Diferente do primeiro, a realização do sonho ocorre no relato, restando ao rei penitenciar-se e converter-se. Novamente a conclusão acontece com um louvor, por parte do rei, ao Deus altíssimo. A quarta novela (Dn 5,1-6,1) trata do grande banquete promovido pelo rei para seus altos dignitários. Nesta festa o rei usa as taças que haviam sido levadas para a Babilônia quando o templo fora saqueado. O rei não é mais Nabucodonosor, mas Baltazar, provavelmente o filho de Nabônides. Durante o banquete, aparece uma mão que escreve uma mensagem estranha na  parede do palácio real. Mais uma vez só Daniel é capaz de decifrar a inscrição. No final, novamente Daniel recebe uma premiação, recusada um pouco antes (5,18-28), e Baltazar é assassinado. Nesta novela o rei desconhece Daniel; é a rainha que apresenta um ao outro. Também não encontramos aqui a simpatia pelo rei, vista nos relatos anteriores. A menção ao uso dos vasos sagradas provavelmente é uma referência à profanação do templo por Antíoco Epífanes (Cf. 2Mc 5,15s.). A última novela (Dn 6,2-29) está em total sintonia com a segunda (Dn 3), apesar de algumas diferenças. Por exemplo, em Dn 6, a vítima é Daniel que, por se recusar a adorar ao rei Dario, é lançado numa cova de leões. Em Dn 3, as vítimas são os seus companheiros, que se recusaram a adorar a estátua de Nabucodonosor. A conclusão repete o esquema anterior: o louvor do rei e a prosperidade de Daniel. Também aqui reaparece a simpatia entre o rei e Daniel. O castigo na fornalha ardente e na cova de leões certamente é uma referência aos mártires torturados na guerra contra o império selêucida e, ao mesmo tempo, um estímulo  para a resistência. A partir do cap.7 começam as visões de gênero mais claramente apocalíptico. Daqui para frente os amigos de Daniel não aparecem mais. A primeira visão, que retorna ao reinado de Baltazar, já morto em 6,1, é a dos quatro animais (Dn 7). O objetivo aqui é atingir os quatro grandes impérios que oprimiram o povo judeu, e mais diretamente o opressor do momento: Antíoco IV. No final, ao contrário das novelas, os impérios são julgados e seu poder é outorgado a um como Filho do Homem (7,14) e entregue ao povo dos santos do Altíssimo (7,27). Ironicamente, os impérios bestiais não subsistirão. Quem reinará no futuro, e para   5 sempre, será o povo que permaneceu fiel a JHVH. 10  De outra parte, percebe-se uma grande aproximação entre a visão de Daniel do cap.7 e o sonho de Nabucodonosor do cap.2, o que garante a continuidade em relação à primeira parte. Portanto, Dn 7 pode ser considerado como uma espécie de ponte entre a primeira (2-6) e segunda parte (7-12). A segunda visão de Daniel (cap.8) é a do carneiro e do bode. Esta retoma a primeira visão (cap.7), descrevendo maravilhosamente a sucessão do império persa pelo grego. Também aqui a crítica central se dirige ao opressor do momento: Antíoco IV, o “rei arrogante” (Dn 8,23), o último império a ser destruído. A visão de Dn 9 abarca uma grande oração de Daniel, cuja preocupação central é o tempo necessário para a expiação das iniqüidades e a instauração da justiça eterna. Embora a visão seja situada no reinado de Dario, filho de Xerxes, o texto evoca claramente a realidade vivida  pelo povo judeu durante o reinado de Antíoco IV Epífanes, quando o rei mandou matar o Sumo sacerdote Onías III (2Mc4,30s.) e profanou o templo, consagrando-o a Júpiter Olímpico (2Mc 6,1s.; Dn 11,31s.). Aqui o autor faz um paralelo entre a destruição do templo em 587  por Nabucodonosor e a profanação de Antíoco IV em 167 a.C.. Os caps.10-12 formam uma unidade coesa. Começam com a visão do homem revestido de linho (Dn 10), o qual anunciará o que vai suceder no fim dos dias. Segue então o anúncio (Dn 11) que trata do reinado dos impérios e suas sucessões. A primeira parte faz uma referência muito sucinta ao império persa e ao império grego de Alexandre Magno (11,2-4). A segunda  parte faz uma ampla abordagem das tramas entre os sucessores de Alexandre (11,5-20), detendo-se particularmente no reinado de Antíoco IV Epífanes (11,21-45). No final (cap.12), a conclusão da visão: o homem revestido de linho apresenta a durabilidade das coisas inauditas e a chegada do fim dos tempos. Até lá, “Bem aventurado aquele que perseverar” (Dn 12,12). Como podemos perceber, a crítica de toda a obra de Daniel tem sua atenção centrada no reinado de Antíoco IV Epífanes (175-164). Por isso, apesar do pouco espaço que temos para introduzir o livro de Daniel, nós nos sentimos na obrigação de fazer, pelo menos, uma breve memória do contexto histórico deste período. 11   4. Contexto histórico Ainda que o autor do livro de Daniel remonte seus escritos ardilosamente num passado distante, durante o exílio na Babilônia (598-539 a.C.) e início do império persa (538s.), ele se encontra no império selêucida, durante o reinado de Antíoco IV. Por esse tempo o helenismo  já estava em pleno vigor. Nas cidades mais importantes do império, principalmente nas cidades portuárias, o livre comércio dava as coordenadas. A possibilidade de enriquecer estimulava na classe comercial um afã desmedido na busca de produtos comerciáveis. Tudo se comprava e tudo se vendia. O uso da moeda, como fator de troca e de acúmulo de riqueza, se tornava cada vez mais intenso e mais eficaz. O modo de produção escravagista já estava consolidado. Milhões de vidas humanas, pelo menos a metade da população do império, 10  Não é possível desenvolver aqui este fascinante tema referente a “um como Filho de homem”. Sugerimos a leitura de: Pablo Richard, O povo de Deus contra o Império  –   Daniel 7 em seu contexto literário e histórico , em: RIBLA, n.7, Editora Vozes/Sinodal, Petrópolis/São Leopoldo, 1990, p.22-40; Ágabo Borges de Sousa,  A figura de “Um como um Filho de um Homem”em Daniel 7  , em: Estudos Bíblicos, n.52, Editora Vozes/Sinodal, Petrópolis/São Leopoldo, 1997, p.72-77. 11  Um texto sem contexto é um pretexto.
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