A PERCEPÇÃO DOS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM DE CARTOGRAFIA DOS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Please download to get full document.

View again

of 19
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Categories
Published
A PERCEPÇÃO DOS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM DE CARTOGRAFIA DOS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
  Rosane Vieira da Silva 1 ; Angélica Cirolini 2 ; Alexandre Felipe Bruch 3 ; Elisandra Hernandes da Fonseca 4 ; Suyane Gonçalves Campos 5 ; Fernanda Luz de Freitas 6 ¹Tecnóloga em Geoprocessamento no Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: ro.viei-rasilva@gmail.com; ²Professora Doutora no Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: acirolini@gmail.com; ³Professor Doutor no Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: aruch@gmail.com; 4 Graduanda em Engenharia Geológica no Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: elisandrah.fonseca@gmail.com; 5 Graduanda em Engenharia Geológica no Centro de Engenha-rias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: suyanegc@gmail.com; 6 Graduanda em Engenharia Geológica no Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: fernandaluzdefreitas@gmail.com. A PERCEPÇÃO DOS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM DE CARTOGRAFIA DOS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL THE PERCEPTION OF THE LEVELS OF CARTOGRAPHIC LEARNING OF ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS Nº 1 EXPRESSA EXTENSÃO | JAN-ABR, 2019 RESUMO A cartograa escolar possibilita que o aluno possa aprender a se localizar no espaço geográco e representá-lo nas diversas formas de representação cartográca. O presente trabalho tem como objevo analisar o conhecimento cartográco no processo de ensino e aprendizagem da geograa no Ensino Fundamental das escolas públicas do município de Pelotas, RS. A apli - cação de quesonários, no primeiro momento, possibilitou a realização de uma análise do conhecimento já adquirido no ensino de cartograa, onde os resultados obdos apresentam dados preocupantes, uma vez que expõem a carência apresentada pelos alunos no que con - cerne às noções básicas de cartograa. Através da realização de algumas avidades prácas, como desenho em escala, orientação no páo da escola, “caça ao tesouro”, apresentações de mapas, globo terrestre, localização, confecção de bússola artesanal, procurou-se promover o aprendizado de conceitos geográcos e cartográcos de modo relacionado, possibilitan - do aos estudantes um melhor entendimento dos conteúdos e processos espaciais a parr de compreensão e uso da linguagem cartográca. Ao concluir as avidades, foi repassado o quesonário inicial, para possibilitar a análise do conteúdo trabalhado e vericar se os alunos conseguiram assimilar os temas propostos. Neste segundo quesonário, foi possível observar um percentual posivo, já que os alunos parciparam mais efevamente, se arriscando nas suas respostas sem se abster. Durante todo o desenvolvimento das avidades nas escolas, os alunos demonstraram reciprocidade, movação e interesse em parcipar de todas as etapas de maneira efeva, sendo possível construir o conhecimento de forma coleva. Palavras-chave:  Geoprocessamento. Cartograa. Escolar. Ensino.  Expressa Extensão. ISSN 2358-8195 , v.24, n.1, p. 85-103, JAN-ABR, 2019. ROSANE, V. S. et al. ABSTRACT The school cartography allows the student to learn to locate in the geographical space and rep- resent it in the various forms of cartographic representaon. The present work aims to analyze cartographic knowledge in the teaching and learning process of geography in the elementary school of public schools in the city of Pelotas, RS. The applicaon of quesonnaires, at the rst moment, made possible an analysis of the knowledge already acquired in the teaching of cartography, where the results obtained present worrying data, once they expose the lack presented by the students with regard to the basic noons of cartography. Through the ac - complishment of some praccal acvies such as scale drawing, orientaon in the school yard, "treasure hunt", presentaons of maps, terrestrial globe, locaon, making of handmade com - pass, we tried to promote the learning of geographic and cartographic concepts in a related way, allowing the students a beer understanding of the contents and spaal processes from the understanding and use of the cartographic language. At the conclusion of the acvies, the inial quesonnaire was passed on, to enable the analysis of the content worked and to verify if the students were able to assimilate the proposed themes. In this second quesonnaire, it was possible to observe a posive percentage, and the students parcipated more eecvely by risking their answers without abstaining. Throughout the development of acvies in schools, students demonstrated reciprocity, movaon and interest in parcipang in all stages in an eecve way, where it was possible to build knowledge collecvely. Keywords:  Geoprocessing. School. Cartography. Teaching. INTRODUÇÃO Os mapas são ferramentas importantes no codiano da humanidade e concebem as mais angas representações do pensamento geográco. Os primeiros eram feitos de argila, ma - deira, esculpidos ou pintados nas rochas, ou desenhados sobre a pele de animais, ou seja, ulizavam o material disponível na época. Suas funções incluíam conhecer as áreas dominadas e as possibilidades de ampliação das fronteiras, demarcar territórios de caça, localização de especiarias e representar a visão de mundo que esses povos nham. Desde sempre, o homem registra o espaço onde vive. A Cartograa é a ciência, arte e técnica que se preocupa com a localização e representa um ramo da Geograa que compreende a elaboração, a leitura e a interpretação dos mapas.No ensino de Geograa, a Cartograa aparece como mediadora entre o estudo do espaço geográco e sua representação, caracterizada pela linguagem cartográca, a qual deve ser en - tendida a parr do estudo da alfabezação cartográca, que consiste na construção do conhec - imento e na percepção espacial, com base no uso e na interpretação dos mapas pelas crianças.Os mapas são os recursos visuais mais indicados para percepção das mais diferentes pais - agens. A possibilidade de ler os mapas de forma adequada é de grande importância para educar o aluno e as pessoas em geral para a autonomia. Contudo, para alcançarmos esta meta, o uso de mapas, em sala de aula, não deve se limitar a um instrumento, ilustração pura e simples, como frequentemente é ulizado pelos professores, mas como forma de informação. (PASSINI, 1994). O trabalho com a linguagem cartográca e a semiologia gráca torna-se muito importante para a sociedade atual, onde, cada vez mais, alunos e professores precisam estar informados e ter a capacidade de observação e entendimento do espaço em sua volta. O uso do conheci - mento de ordem cartográca é muito mais comum do que se pode imaginar e, na atualidade, se tornou uma rona, devido à difusão das geotecnologias. 86  Expressa Extensão. ISSN 2358-8195 , v.24, n.1, p. 85-103, JAN-ABR, 2019. ROSANE, V. S. et al. As habilidades relacionadas à linguagem cartográca começam a ser trabalhadas a parr dos anos iniciais de escolarização do aluno, passando por toda a educação básica, o que pode ser denominado como alfabezação cartográca. Almeida (2010) ressalta que, desde os primeiros meses de vida do ser humano, se contor - nam as impressões e as percepções referentes ao domínio espacial, as quais se desenvolvem através da interação com o meio, pois a concepção de espaço inicia-se antes do período de escolarização do educando, por volta dos 6 (seis) anos de idade, período que ingressa na esco - la, no Ensino Fundamental. Tendo em vista que o aluno adquire seus conhecimentos ao longo dos anos de experiência escolar, caracterizando gradualmente um processo de assimilação no ensino de Geograa, especialmente nos conteúdos que abrangem a linguagem cartográca. Percebe-se que a base do conhecimento faz parte de um processo, em que o aluno recebe determinados conteúdos ao longo dos anos de escolarização e os fortalece, quando aprende a usá-los em suas avidades de rona. Se exisr décit em alguma das partes, acarretará na incapacidade de ulizar um mapa ou mesmo orientar-se no espaço. Nesta perspecva, o presente trabalho tem por objevo realizar um estudo referente à alfabezação cartográca e aos níveis de aprendizagem da Cartograa, quanto à orientação espacial, localização, leitura e interpretação de mapas nas escolas de Ensino Fundamental do município de Pelotas, RS. CARTOGRAFIA ESCOLAR A cartograa surgiu com a necessidade do homem em conhecer o mundo em que vive, se orientar, se deslocar no espaço e se posicionar perante o meio onde habita.A Cartograa é uma linguagem que expressa fatos e fenômenos observados em determi - nado local e constui importante instrumento de reexão e informação. Além disso, possibil - ita um conhecimento estratégico acerca do espaço geográco, permindo a leitura críca de inúmeros fenômenos em diversas escalas (SEESP, 2010, p. 29). Para Almeida e Passini (2004), o mapa é a representação codicada de um determinado espaço real. A informação é transmida por meio de uma linguagem cartográca que se uliza de três elementos básicos: sistema de signos, redução e projeção. Ler mapas signica dominar esse sistema semióco – a linguagem cartográca. Para preparar o aluno, deve-se usar metod - ologias tão importantes como ensinar a ler e a escrever, contar e fazer cálculos matemácos.Ensinar cartograa é tão importante quanto estudá-la, para que o prossional da educação, que estará ministrando os trabalhos relacionados ao tema, possa repassar o conhecimento com domínio do conteúdo e, por isso, é importante que o prossional da área busque apri - morar seus conhecimentos a respeito do que é a cartograa.Goergen (1998) aponta para a necessidade de se desenvolver a arte de ensinar, ou seja, é necessário que nos aprofundemos cada vez mais em técnicas, métodos e tecnologias no ensino, uma vez que a Ciência se encontra bem mais avançada em termos teóricos, prácos e metodológicos em comparação com o ensino da mesma, o que jusca a elaboração deste trabalho, com o objevo de buscar novas formas de ensino.Ler um mapa e rar informações é muito dicil para quem não aprendeu na escola como fazê-lo. Entretanto, habilidades podem ser desenvolvidas na escola através de exercícios que envolvam diversos conceitos e prácas espaciais nos anos iniciais, assim como análise e leitura do espaço em mapas, nos anos mais adiantados. Nesse sendo, a responsabilidade do pro - fessor é altamente relevante, pois cabe a ele a tarefa de conduzir os alunos no uso do mapa e também na criação dos seus próprios mapas. (ALMEIDA, et. al., 2018) 87  Expressa Extensão. ISSN 2358-8195 , v.24, n.1, p. 85-103, JAN-ABR, 2019. ROSANE, V. S. et al. O ESTUDO DOS MAPAS EM SALA DE AULA De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN – MEC SEF, 1997), é no início da fase escolar que o aluno deve aprender a ulizar a linguagem cartográca para representar e interpretar informações, observando a necessidade de indicações de direção, distância, orientação e proporção para garanr a legibilidade da informação. Se o aluno não aprender na escola a ler um mapa e dele rar informações, terá grande diculdade, mesmo quando adulto, para entender as informações de um mapa. O uso dos recursos cartográcos nas escolas tem por objevo principal incenvar o aluno no processo de construção do conhecimento. “O fundamental no ensino da Geograa é que o aluno/cidadão aprenda a fazer uma leitura críca da representação cartográca, isto é, decodi - cá-la, transpondo suas informações para o uso do codiano”. (CASTROGIOVANNI, 2000, p. 38).Cabe ao professor a responsabilidade de conduzir os alunos no uso do mapa e também na criação dos seus próprios mapas. Aprender a pensar o espaço. E, para isso, é necessário aprender a ler o espaço, “que signica criar condições para que a criança leia o espaço vivido” (CASTELAR, 2000, p. 30). O fato do professor das séries iniciais não ter formação especíca em Geograa faz com que acabe deixando de lado o trabalho com o uso de mapas, o qual é imprescindível para a aprendizagem geográca.Conforme mencionado anteriormente, o ensino da cartograa para a criança inicia-se com o espaço vivido, seu codiano, aonde a mesma vai aprendendo as bases do sistema de signos, coordenadas, seguindo assim o processo de aprendizado até angir a escala global. O ensino e a aprendizagem ocorrem de maneira gradual e o aluno vai descobrindo as diversas maneiras de visualizar e reconhecer as caracteríscas do espaço geográco, como ler e interpretá-las.Este aprendizado gradavo insga o professor a criar maneiras de pensar suas ações e preparar avidades pedagógicas que ajudam no processo de ensino e aprendizagem. Para Francische (2008), a ação mediadora é possibilitada pelo aprendizado que se tem da leitura e a capacidade de compreensão da representação que é disponibilizada inicialmente e no decor - rer da escolaridade. Portanto, é o professor o principal agente mediador do conhecimento. Almeida e Passini (2010, p. 21) armam que “iniciando o aluno em sua tarefa de mapear, estamos, portanto, mostrando os caminhos para que se torne um leitor consciente da lingua - gem cartográca”.Atualmente, com a difusão dos atlas eletrônicos, os laboratórios de informáca devem ser mais explorados pela cartograa escolar, uma vez que a evolução tecnológica deve ser acom - panhada pela educação e os professores podem ulizá-la de maneira que o aluno se sinta parte integrante do seu aprendizado, crie a ideia de pertencimento em relação ao espaço geográco.A Cartograa é ulizada diariamente, no mapa turísco, no Sistema de posicionamento Global (GPS) disponível no automóvel, no visualizador de mapas, que pode ser acessado no computador, tablete ou celular, entre outros, tornando ainda mais importante este conheci - mento de leitura e interpretação de mapas. NOÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO A Geograa é um instrumento importante para a compreensão do mundo. Pensar o ensino de Geograa a parr de sua função alfabezadora é arcular a leitura do mundo à leitura da palavra, na perspecva de uma políca cultural, entendida como relação do homem com o seu entorno [...]. (PEREZ, 2001, p. 104).A Cartograa busca a representação e a localização dos fenômenos no espaço e auxilia a 88  Expressa Extensão. ISSN 2358-8195 , v.24, n.1, p. 85-103, JAN-ABR, 2019. ROSANE, V. S. et al. Geograa na compreensão e na percepção do espaço. Nas palavras de Souza e Katuta (2001), a Cartograa compreende a arte, o método e a técnica de representar a supercie terrestre e seus fenômenos. A dimensão da arte corresponde à estéca da representação, as cores u - lizadas, o traçado em si; o método indica a possibilidade de análise geográca, interpretação e reexão das informações cartografadas; e a técnica diz respeito à precisão do traçado e das informações condas no mapa. O estudo do espaço geográco deve iniciar pelas crianças, ou seja, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, parndo do trabalho com o espaço próximo, o espaço vivido e, poste - riormente, ampliar esta análise para criar as habilidades de se estudar o espaço global. Nesta perspecva, Callai (1988, p. 59) arma que “a realidade, ou lugar em que se vive, é o ponto de parda para se chegar à explicação dos fenômenos”. Assim, tem-se como exemplo o estudo do páo da escola, a quadra, o bairro, a cidade, o município, até angir espaços maiores, sempre parndo do entendimento da sua realidade. Diante disso, Callai (2002, p. 64) arma que [...] é importante estudar o real e não o imag - inário, o idealizado. O meio em que o aluno vive é rico de possibilidades de exploração de desenvolvimento de avidades, por isso deve-se sempre ter o real, o que de fato existe, como ponto de parda do estudo e não situações supostamente existentes. MATERIAIS E MÉTODOS Esta pesquisa possui um caráter invesgavo acerca do Ensino da Cartograa, sobre a for - ma de entendimento da realidade a parr da Geograa, com foco qualitavo e quantavo, baseado na leitura e interpretação de mapas. Nesse sendo, a área de estudo compreende a área urbana do município de Pelotas (Figura 01). O município possui uma área de 1.610,08 km² e uma população de 328.275 habitantes, sendo uma parcela de 306.193 habitantes residindo na zona urbana e 22.082, na zona rural (IBGE, 2010). 89
Similar documents
View more...
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x