A PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL FACE À LUDOTERAPIA EM CONTEXTO EDUCATIVO – UMA ABORDAGEM QUALITATIVA

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RESUMO O presente estudo visa contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas em Edu-cação Especial. Pretendemos conhecer a percepção de profissionais de educação especial face à Ludoterapia e demonstrar, através de uma abordagem qualitativa, que
    ENCICLOPÉDIA BIOSFERA , Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p. 2015 85 A  PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL FACE À LUDOTERAPIA EM CONTEXTO EDUCATIVO  –  UMA ABORDAGEM QUALITATIVA   R OSA S.   P.   R AMOS 1 ,   L ISETE S.   M.   M ÓNICO 2 .   1. Unidade de Multideficiência e Surdocegueira, Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, Portugal 2. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coim-bra, Portugal Endereço para Correspondência: Escola Secundária Dr.Joaquim de Carvalho, Fi-gueira da Foz, Portugal E-mails: rosa.pires.ramos@sapo.pt, lisete.monico@fpce.uc.pt Recebido em: 28/11/2014 – Aprovado em: 16/01/2015 – Publicado em: 31/01/2015   RESUMO O presente estudo visa contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas em Edu-cação Especial. Pretendemos conhecer a percepção de profissionais de educação especial face à Ludoterapia e demonstrar, através de uma abordagem qualitativa, que este procedimento é capaz de operar a diferenciação pedagógica, complemen-tada com outras metodologias e terapias em alunos com necessidades educativas especiais (NEE). A amostra é composta por profissionais de educação especial, que foram entrevistados e os dados tratados por análise de conteúdo.Os resultados evi-denciaram que estes profissionais têm uma opinião muito favorável à utilização do contexto lúdico nas aprendizagens funcionais dos alunos com NEE e na sua inclu-são no grupo/turma e escola. A Ludoterapia mostrou ser um procedimento privilegi-ado para alunos especiais ao estimular o seu desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio-afetivo, ao promover uma socialização melhor e um modelar de atitudes  /personalidades mais adequado. A abordagem qualitativa desta investigação revelou que as características do método ludoterapeutico são essenciais aos bons resulta-dos na intervenção com crianças com NEE em contexto educativo. Os resultados foram discutidos tendo a ideia que ao oferecer às crianças com NEE a possibilidade de brincar, oferece-se muito mais que o ato em si mesmo, oferece-se qualidade de vida e contribui-se para um desenvolvimento mais natural e eficiente. PALAVRAS-CHAVE: Brincar, Educação Especial, Inclusão, Ludoterapia, Necessi-dades Educativas Especiais. THE PERCEPTION OF SPECIAL EDUCATION PROFESSIONALS TOWARDS PLAY THERAPY IN EDUCATIONAL CONTEXT  –  A QUALITATIVE APPROACH  ABSTRACT This study aims to contribute to the improvement of teaching practices in Special Education. We intend to know the perception of special education professionals to-wards the Play Therapy issue and prove, through a qualitative approach, that this    ENCICLOPÉDIA BIOSFERA , Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p. 2015 86 procedure is the differentiated pedagogy required, complemented with other methods and therapies, to students with special education needs (SEN). The sample consists of professionals in special education who were interviewed and the data were evalu-ated by the content analysis. The results showed they have a very favorable opinion about the use of the playful context in the functional learning of SEN and their inclu-sion in the group/class and school. Play Therapy proved to be a privileged procedure for special students to stimulate their cognitive, motor and socio-emotional develop-ment, to allow a better socialization and modeling attitudes/personalities in a more appropriate way. The qualitative approach of this research indicated that the charac-teristics of the Play Therapy method are essential to get good results in intervention with SEN children, in educational context. The results were discussed according to the idea that by providing children with special needs the opportunity to play, we offer much more than the act itself, we provide quality of life and a more natural/efficient development. KEYWORDS:  Play, Special Education, Inclusion, Play Therapy, Special Education Needs. INTRODUÇÃO O ponto de partida da presente investigação consistiu em procurar compre-ender e analisar o complexo mundo das perturbações do desenvolvimento, de modo a olhar para elas não como um problema, mas sim como um desafio pedagógico. Por conseguinte, o profissional de educação especial tem de ser um agente de mu-dança e refletir sobre as práticas pedagógicas mais adequadas às necessidades especiais dos seus alunos, tendo a responsabilidade de lhes dar instrumentos para construir uma vida, tocar-lhes o destino e moldar-lhes o futuro de forma inclusa, au-tónoma, digna, preparada e feliz. Neste sentido, esta investigação é uma procura, um caminhar para o conhecimento em busca de melhores práticas no contexto da educação especial. Concretamente visou-se demonstrar, de modo empírico, que a Ludoterapia favorece o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e socio-afetivo da criança com necessidades educativas especiais e que é uma metodologia adequa-da, pois promove a diferenciação pedagógica e curricular necessária à escola inclu-siva. Tanto a concepção construtivista de PIAGET (1978), como a sócio-interacionista de VIGOTSKY (1998), valorizam o jogo e a interação lúdica no desen-volvimento da criança. O primeiro autor analisa o processo de desenvolvimento da criança e a função do jogo no mesmo, tendo em conta a sua evolução nos diferentes estágios; o segundo destaca as interações sociais que o jogo promove e, portanto, o fato de a arte de brincar poder ajudar a criança a comunicar com o mundo que a ro-deia e consigo mesma, contribuindo para o seu crescimento e amadurecimento. Segundo KISHIMOTO (2003), o jogo poderá ser utilizado na sala de aula co-mo recurso didático na aprendizagem do aluno, potenciando assim as suas capaci-dades. Todavia, a sua aplicação tem de ser construtiva e não um mero conjunto de atividades sem sentido, pelo que é preciso que haja objetivos bem definidos orienta-dos para o desenvolvimento do aluno, atendendo às suas necessidades específicas. Brincar é viver e as crianças brincam porque esta é uma necessidade tão básica como comer ou dormir. Todavia, toda e qualquer brincadeira deve ser dirigida e ori-entada pelos professores, educadores, pais/encarregados de educação, no sentido de treinar e desenvolver as competências das crianças/jovens, particularmente se estes forem portadores de necessidades educativas especiais.    ENCICLOPÉDIA BIOSFERA , Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p. 2015 87 Esta ideia é igualmente defendida por FREIRE (2008) e TARDIF (2002), que valorizam a importância da atividade lúdica no contexto educativo, sobretudo quando se trata de crianças com necessidades educativas especiais que precisam ser parti-cularmente motivadas e estimuladas aos níveis cognitivo, linguístico, psicomotor, afetivo, social, bem como das aprendizagens funcionais. O aluno com necessidades educativas especiais (NEE) merece um olhar diferenciado em relação às suas ne-cessidades e cabe ao professor desenvolver as atividades educacionais em função da singularidade das mesmas. Neste sentido, RAMOS (2014) reforça a ideia da im-portância da Ludoterapia na operacionalização da diferenciação (curricular e peda-gógica) em Educação Especial, dando uma resposta eficaz, assente nas necessida-des educativas de aprendizagens específicas, competências e interesses dos alu-nos, garantindo a equidade educativa. Na verdade, as atividades lúdicas são facilitadoras/motivadoras de uma me-lhor assimilação dos saberes oferecidos pela escola, além de contribuírem para o desenvolvimento global do aluno, tendo em conta o seu ritmo e capacidade (BRITO &FREIRE 2014; LEP  Ă DATU & DREGHICIU, 2014). Refira-se que o lúdico é de vital importância, principalmente porque falta à escola juntar o conhecimento científi-co/formal ao popular/prático, pois é na prática que se aprende. A abordagem inclusi-va do currículo assenta numa metodologia ativa, tal como a Ludoterapia, baseada no princípio “aprender fazendo”. CABRAL (2000) refere que a Ludoterapia esteve classicamente e exclusiva-mente ligada ao domínio da Psicologia, no âmbito da análise de atitudes e compor-tamentos. Contudo, esta psicoterapia pelo brincar pode e deve ser explorada não só a nível da personalidade, mas também da cognição, da socialização e da psicomo-tricidade, potenciando as capacidades dos alunos com NEE. Atualmente, a Ludoterapia é destinada a todas as idades, crianças, jovens, adultos ou idosos e o seu uso tanto pode ser a nível da psicoterapia do indivíduo (CARVALHO, JESUS, SANTOS, & MOTA, 2014), como na terapia de grupo, pois acreditamos que a terapia do jogo e do contexto lúdico é importante para a aprendi-zagem e equilíbrio dos seres humanos. O lúdico constitui um elemento essencial no processo de apropriação do conhecimento e, consequentemente, é impulsionador do desenvolvimento da aprendizagem da criança. FONSECA (1976, 1992) desenvolveu uma bateria de observação psicomoto-ra destinada à obtenção de um perfil e de um modelo de reabilitação psicomotora de crianças com NEE. O autor utilizou uma estratégia metodológica centrada na indivi-dualização da intervenção. Por conseguinte, em conformidade com este autor, suge-rimos que a psicomotricidade possa também ser trabalhada com Ludoterapia e complementada com outras terapias, designadamente a nível das necessidades es-pecíficas da lateralização, noção corporal, equilíbrio, estruturação espácio temporal, tonacidade e praxia. Assim, a importância da interação lúdica no processo de desenvolvimento da criança é fundamental. Deve ser estimulada nas diversas áreas tais como: a) a psi-comotora , através de atividades como a dança, exercícios rítmicos, jogos, pinturas, olaria, construção de colares/pulseiras, etc.; b) a área social ,   que está voltada, por exemplo, para o respeito às regras e limites, podendo ser exercitada com dramatiza-ções “Faz de conta que trabalhas num restaurante/loja/empresa…” ou de jogos tra-dicionais (corridas de sacos, “cabo de guerra”/da corda, pião, cova do feijão); c) a cognitiva , na medida em que o jogo estimula o pensamento e o raciocínio lógico através da ordenação do tempo, espaço e movimento (quebra-cabeças, “por onde a    ENCICLOPÉDIA BIOSFERA , Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p. 2015 88 bolinha vai sair?”, ludo, puzzle, dominó de números, “descubra a palavra”, figuras recortadas, etc.; a memória poderá ser trabalhada com jogos como “gavetinhas da memória”, “procura-se o par”, etc.); d)a área afetiva/emocional , onde se salientam os sentimentos vivenciados pela “brincadeira” com os semelhantes, tais como como o carinho, a alegria e o companheirismo. O lúdico também pode ser operacionaliza-do através de passeios, trabalhos externos e com o aproveitamento de objetos trazi-dos pelos alunos que, para além de enriquecerem a aula, torna-os participativos e atuantes. Neste sentido, a Ludoterapia tem sido facilitadora da inclusão, da autono-mia e do desenvolvimento global e harmonioso dos alunos, desenvolvendo neles competências, conhecimentos, valores e atitudes, melhorando a sua autoestima e propiciando aprendizagens curriculares específicas orientadas em função dos objeti-vos pretendidos, que requerem um olhar diferenciado em relação às suas necessi-dades. A Ludoterapia é uma terapia ativa, catártica e criativa. Assenta na conceptua-lização psicodinâmica da intervenção, valorizando a utilização terapêutica do lúdico através de atividades expressivas e espontâneas que privilegiam a ação exploratória criativa em função das problemáticas envolvidas. Contrariamente a outras psicotera-pias, não se propõe “curar” o incurável ou superar de todo as dificuldades dos alu-nos com NEE, mas dar qualidade de vida e estimular o seu desenvolvimento cogniti-vo, psicomotor e sócio-afetivo, bem como modelar atitudes/personalidades adequa-das à sua integração pessoal e social de forma preparada e autónoma (LEP  Ă DATU & DREGHICIU, 2014). Esta pesquisa pretende ser o ponto de partida na reflexão sobre as práticas pedagógicas a adotar em Educação Especial, com o intuito de contribuir para a sua melhoria. Os procedimentos didáticos a aplicar em Educação Especial constituem um fenómeno educacional ainda pouco explorado e que merece mais investigação. Neste sentido, há que testar novas metodologias e técnicas educacionais, assim como analisar relações pedagógicas em conformidade com as necessidades educa-tivas especiais de cada criança. Esta psicoterapia dinâmica, complementada com outras terapias e metodologias, constitui um contributo expressivo, sobretudo em contexto de Educação Especial, na medida que o uso potencial da Ludoterapia com crianças com NEE é vasto e promissor. A escola constrói-se com a participação ati-va de todos numa perspetiva de fomento da qualidade. Propósito O propósito desta investigação consiste em analisar a opinião dos profissio-nais de educação especial sobre o contributo da Ludoterapia no desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio-afetivo do aluno com necessidades educativas especi-ais, bem como perceber a importância da interação lúdica no processo terapêutico com crianças NEE. MATERIAL E MÉTODOS Amostra A Amostra é composta por profissionais de educação especial do concelho da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, Portugal. Estes profissionais trabalham nos quatro agrupamentos que geograficamente e administrativamente compõem o con-celho em estudo, a saber: “zona urbana”, “Figueira Mar”, Figueira Norte” e “Paião”, bem como uma escola secundária não agrupada (Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho). No total, entrevistamos cinco profissionais, quatro mulheres e um ho-    ENCICLOPÉDIA BIOSFERA , Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p. 2015 89 mem, que exercem diversas funções nas escolas do referido conselho, tais como: coordenadores e professores de educação especial, psicólogas escolares, terapeuta da fala e ludoterapeuta. Na tabela 1 pode consultar-se a distribuição em função do género, idade, área de formação, habilitação acadêmica, nível de ensino que lecio-na, tempo de serviço, formação em educação especial e conhecimento no Decreto-Lei 3/2008 (educação especial). TABELA 1 –  Caracterização da amostra de profissionais que respondeu às entre-vistas Variáveis sociodemográficas n % Masculino 1 20,0 Feminino 4 80,0 Sexo Total 5 100,0 31 a 40 anos 2 40,0 41 a 50 anos 1 20,0 51 a 60 anos 2 40,0 Classe etária Total 5 100,0 Clínica 1 20,0 Educação Pré-escolar 1 20,0 Línguas e Literaturas 1 20,0 Psicologia 1 20,0 Psicologia e Especialização em Educação Especial 1 20,0 Área de Formação: Total 5 100,0 Especialização 2 40,0 Mestrado 3 60,0 Habilitação Acadêmica: Total 5 100,0 Não resposta 3 60,0 1o CEB 1 20,0 2º CEB e 3º CEB 1 20,0 Nível de Ensino que leciona ou pa-ra o qual está habilitado: Total 5 100,0 menos de 5 1 20,0 6 a 13 1 20,0 14 a 21 1 20,0 22 a 29 2 40,0 Tempo de Serviço (anos) Total 5 100,0 Não 1 20,0 Sim 4 80,0 Teve formação específica no âm-bito da Educação Especial? Total 5 100,0 Já leu o Decreto-Lei 3/2008 (edu-cação especial)? Sim 5 100,0 Identificamos duas classes etárias predominantes: dos 31 aos 40 anos e dos 51 aos 60 anos (em ambas as classes 40% da amostra entrevistada). As áreas de formação encontram-se equitativamente distribuídas (20% em cada) e verificamos que os participantes possuem como habilitação acadêmica maioritária o Mestrado (60%). O tempo de serviço mais frequente é de 22 a 29 anos e todos os participan-tes (com exceção de um) tiveram formação específica no âmbito da Educação Es-pecial (80%). Também todos já leram o Decreto-Lei 3/2008 (educação especial). Refira-se que em relação à questão “Nível de Ensino que leciona ou para o qual
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